A crise do Ensino Médio

A crise do Ensino Médio

A crise do Ensino Médio

Dilvo Ristoff*

 

Quase 600 mil estudantes universitários têm mais de 40 anos de idade, e a metade dos 6 milhões de matriculados tem mais de 24 anos. Isto significa dizer que a democratização do acesso à educação superior está, ironicamente, beneficiando mais as pessoas mais velhas e menos a população-alvo. A explicação está no descompasso sistêmico que vive a educação brasileira: crescem as vagas no Ensino Superior enquanto diminuem os concluintes do Ensino Médio.


O Ensino Médio, responsabilidade prioritária dos estados, não apenas forma poucos studantes, mas os forma mal, como comprovam o Saeb, o Enem e o Pisa. As causas desta baixa qualidade são muitas, mas podem ser resumidas numa palavra: improviso. Dados do Inep mostram que em todas as disciplinas e em todas as regiões do país faltam professores habilitados em sala de aula. Em algumas disciplinas (física e química, por exemplo) a situação é gravíssima e, a se manter a atual tendência, teremos professores improvisados ainda por muitas décadas.



A solução está a caminho? Não é o que dizem os números! Nos últimos dois anos, o número de licenciados caiu de 277 mil para 233 mil. Pior: as matrículas nas licenciaturas, que em 2005 eram de 1,250 milhão, em 2010, haviam caído para 928 mil, mostrando que as boas políticas do MEC (Parfor, Piso, Pibid, etc) não surtiram o efeito desejado. É chocante constatar que, após tantos programas e milhões de reais investidos, a procura pelas licenciaturas vem diminuindo e que, mesmo nas universidades públicas, esses cursos têm vagas ociosas.



Duas coisas ficam evidentes: que continua baixa a atratividade da profissão de professor e que programas e políticas nacionais, bons sinalizadores da direção a ser seguida, são, por si só, insuficientes para formar professores e trazê-los à sala de aula. Enquanto quem define as macropolíticas não estiver em fina sintonia com quem paga os salários, o improviso e a baixa qualidade reinarão, colocando em risco os grandes projetos de desenvolvimento. A hora de construir esta sintonia fina é agora,com o novo Plano Nacional de Educação.

 




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