Você tem experiência?

Você tem experiência?

 

Você tem experiência?
Sergio Augusto Weber

 

 

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Caso de um processo seletivo para vaga de em­prego em uma grande indústria multinacional automotiva, no qual foi feita a seguinte pergunta a uma candidata: você tem experiência?

Ela respondeu de forma inusitada, conseguiu o emprego e hoje sua resposta, reproduzida abaixo, roda o mundo como um exem­plo, uma reflexão sobre o valor das vivências de cada indivíduo:

Curriculum vitae

Eu já dei risada até a barriga doer, já nadei até perder o fôlego, já chorei até dormir e acordei com o rosto desfigurado. Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar, já me quei­mei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto, já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxa.

Já quis ser astronauta, violonista, mágica, caçadora e trapezis­ta. Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora, já passei trote por telefone, já tomei banho de chuva, e acabei me viciando.

Já roubei beijo, já fiz confissões antes de dormir num quarto es­curo para minha melhor amiga. Já confundi sentimentos, peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido. Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro, já me cortei depilando a virilha, já chorei ouvindo música no ônibus. Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer.

Já subi escondida no telhado pra tentar pegar estrelas, já subi em árvore pra roubar fruta, já caí da escada de bunda. Conheci a morte de perto, e agora anseio por viver cada dia.

Já fiz juras eternas, já escrevi no muro da escola, já chorei sen­tada no chão do banheiro, já fugi de casa pra sempre, e voltei no dia seguinte.

Já saí pra caminhar sem rumo, sem nada na cabeça, ouvindo estrelas. Já corri pra não deixar alguém chorando, já fiquei so­zinha no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só. Já vi pôr do sol cor-de-rosa e alaranjado, já me joguei na piscina sem vontade de voltar, já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios, já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.

Já senti medo do escuro, já tremi de nervosa, já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém espe­cial. Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar. Já apostei em correr descalço na rua, já gritei de felicidade, já roubei rosas num enorme jardim. Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um "para sempre" pela me­tade.

Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol, já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão. Foram tantas coisas fei­tas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração.

E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita:

- Qual sua experiência?

Essa pergunta ecoa no meu cérebro:

- experiência... experiência...

Será que ser "plantador de sorrisos" é uma boa experiência?

Não! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!

Agora, gostaria de indagar uma pequena coisa para quem for­mulou esta pergunta: Experiência? Quem a tem, se a todo o mo­mento tudo se renova?"

Fonte: www.administradores.com.br
Por Sergio Augusto Weber, Professor e Diretor Financeiro do 14º Núcleo/CPERS-Sindicato.




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