Violência nas escolas

Violência nas escolas

Luiz Gonzaga Bertelli

As agressões físicas e vebais a professores na sala de aula são muito mais comuns do que muita gente imagina e estão ganhando proporções que devem preocupar, não apenas as associações de professores, mas os órgãos competentes, como as secretarias de Educação e o Ministério Público. Uma pesquisa da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), realizada em 167 municípios paulistas com 1,4 mil docentes, mostra que 44% dos professores da rede estadual de ensino já sofreram algum tipo de violência: agressão verbal, assédio moral e violência física, colocando em risco a integridade dos docentes.

Até pouco tempo, as agressões se restringiam aos bairros periféricos, considerados de alta vulnerabilidade social. Mas o levantamento revelou que hoje a situação vem acometendo toda a rede escolar, independentemente do perfil econômico da região. Um dos graves problemas detectados na pesquisa, que estimula a violência na sala de aula, é o consumo de drogas pelos adolescentes, principalmente nos cursos noturnos, o que torna o jovem mais agressivo e os xingamentos mais constantes. Nesse sentido é de se comemorar iniciativas como o programa social mantido pelo Ciee, a Campanha Nacional Antidrogas, em parceria com a Senad (Secretaria Nacional de Políticas Antidrogas), que visa diminuir esse consumo por meio de palestras de orientação.


Ainda segundo o estudo, os professores acreditam que a principal causa dos conflitos entre alunos e professores seja a falta de respeito, fruto da ausência de uma boa educação em casa. E aí o Ciee entra, mais uma vez, com uma receita de sucesso: quando os jovens participam de programas de aprendizagem e estágio, além de se preparem na prática para desenvolver em uma carreira, eles vão aperfeiçoar valores importantes, como respeito à disciplina e capacidade de relação interpessoal, o que tornará a convivência hierárquica mais tranquila, podendo assim influir, sobremaneira, nas relaçãoes entre professor e aluno.


É preciso, portanto, que as autoridades educacionais estabeleçam regras mais rigorosas para coibir as agressões ocorridas nas escolas, tanto para professores, funcionários e até entre estudantes, criando ambientes mais seguros e soluções mais criativas.


Ponto de vista de Luiz Gonzaga Bertelli é presidente-executivo do Centro de Integração Empresa-Escola - CIEE, da Academia Paulista de História - APH e Diretor da FIESP.


SECOM/CPP




ONLINE
16