Time para a Copa da Educação

Time para a Copa da Educação

"A extensão territorial do Brasil impõe nova logística para a Educação", afirma Isaac Roitman

Fonte: Correio Braziliense (DF)  10 de julho de 2014

Considerando o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) como a Copa Internacional da Educação, o Brasil em 2013 ocupou o 58º lugar entre 65 países avaliados. Essa posição incômoda não condiz com pensadores e empreendedores brasileiros da área da Educação que hoje já não estão entre nós.

O propósito deste artigo é o de revisitar os ensinamentos e iniciativas desses verdadeiros brasileiros, escalando-os para um time que inspire ideias e ações para conquistarmos uma posição honrosa na Copa Internacional da Educação. A partir de um painel com mais de 50 pessoas, selecionamos 23 que citamos em ordem alfabética, resumindo as ideias ou protagonismos que direta ou indiretamente contribuíram para a melhoria da nossa Educação.

1. Anísio Spínola Teixeira (considerado o Pelé da Educação, pregou o desenvolvimento do intelecto em preferência à memorização);
2. Bertha Maria Julia Lutz (bióloga e figura significativa do feminismo no Brasil);
3. Caetano de Campos (criou a primeira Escola Normal de São Paulo, em 1984);
4. Celso Furtado (economista socialmente comprometido e com visão do Brasil do futuro);
5. Crodowaldo Pavan (genetecista e batalhador para a compreensão pública da ciência);
6. Darcy Ribeiro (antropólogo e Educador, co-criador da Universidade de Brasília e da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro);
7. Edgar Roquette-Pinto (pai da radiodifusão educativa do Brasil);
8. Esther de Figueiredo Ferraz (primeira mulher a ser ministra da Educação);
9. Euclides da Cunha (trouxe o verdadeiro conhecimento do interior do Brasil);
10. Fernando de Azevedo (relator do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova);
11. Gilberto Freyre (interpretador do Brasil sob o ponto de vista da sociologia);
12. Heitor Villa-Lobos (Educador musical com linguagem brasileira);
13. José Bento Renato Monteiro Lobato (Educador infantil por meio da literatura);
14. José de Anchieta (fundou o primeiro Colégio do Brasil colonial);
15. José Reis (cientista e escritor, pioneiro da divulgação científica no Brasil);
16. Josué de Castro (descreveu as origens socioeconômicas da tragédia da fome);
17. Julio de Mesquita Filho (um dos fundadores da Universidade de São Paulo);
18. Maria Julieta Ormastroni (caçadora de talentos e criadora do Concurso Cientistas do Amanhã);
19. Manuel Bergströn Lourenço Filho (pioneiro na Educação infantil e na psicologia educacional);
20. Oscar Niemeyer (Educador pela arquitetura e urbanismo);
21. Oswaldo Cruz (sanitarista e Educador da saúde);
22. Paulo Freire (patrono da Educação brasileira, introduziu a Pedagogia do Oprimido);
23. Sergio Buarque de Holanda (por intermédio da antropologia cultural, estudou as raízes do Brasil).

A escalação desse plantel é oportuna, no clima de Copa do Mundo, para motivar os torcedores para a conquista da qualidade da Educação no Brasil. Quando o Legislativo, passando a bola para o Executivo, que promulgou o Plano Nacional de Educação, foi conquistado um gol de placa. Mas cuidado! A partida não é de 90 minutos e sim de várias décadas.

Nessa batalha será fundamental termos políticas de Estado contínuas, com investimentos corretos, formação e valorização dos Professores, infraestrutura adequada, gestão profissional, a participação da família e avaliação permanente no processo educacional. As necessidades do processo Ensino-aprendizagem do século 21 requerem o uso intensivo da web.

A extensão territorial do Brasil impõe nova logística para a Educação. A sala de aula está cada vez mais fora da Escola, como na Idade Média a Educação saiu dos conventos. Ela está presente nas empresas, nas redes sociais e na tevê. Propomos a criação de redes de tevê educativas em cada uma das cinco regiões brasileiras, obrigatoriamente com suas centrais de produção, o que pode transformar o Brasil em grande exemplo de como dar um salto criando uma vasta e mais democrática comunidade educacional, que certamente contribuirá para diminuir a vergonhosa desigualdade social. Nesse cenário do futuro é preciso, acima de tudo, investir nos exemplos legados pela seleção proposta que apresentamos aos 200 milhões de brasileiros. Avante, Brasil! Todos pela Copa da Educação. 

http://www.todospelaeducacao.org.br/educacao-na-midia/indice/30767/opiniao-time-para-a-copa-da-educacao/




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