Reflexões sobre o Concurso

Reflexões sobre o Concurso

Texto do colega Rodrigo da 12ª CRE.

Rodrigo Klassen Ferreira

Olá,

Escrevo na condição de candidato do Concurso Público do Magistério do Estado do Rio Grande do Sul no ano de 2013. Venho através deste solicitar maior atenção e cuidado da imprensa gaúcha no trato das questões relacionadas ao certame.

Para esclarecer os fatos:

No concurso de 2012, com o grande número de reprovações, a imprensa noticiou o fato com tamanho alarde e, ainda que não tenha dito de forma explícita, deu a entender que os professores gaúchos seriam "pouco capacitados", para não usar um termo mais pejorativo.

Após o concurso de 2013, não se sabe exatamente com qual embasamento, foi noticiado que a prova desta vez estaria mais fácil. No entanto, questiono: que critérios de análise foram utilizados para que se chegasse a esse afirmação?

Aguardem, pois os índices de reprovação do concurso de 2013 serão muito maiores do que os do concurso de 2012.

Seria importante que, desta vez, a imprensa não criticasse somente os professores e começasse a prestar mais atenção aos fatores abaixo relacionados:

1) A taxa de inscrição para o concurso foi de R$129,70 para professores com formação superior. Praticamente nenhum outro concurso no país tem taxas tão altas. Por que a imprensa não questiona o lucro absurdo que a FDRH e o governo do Estado têm com o certame?

2) Ao contrário do ano passado, em que prova exigia raciocínio, demonstração de competências e compreensão das 27 obras de conhecimentos pedagógicos da bibliografia, a prova de 2013 exigiu a pura memorização de informações, em que era necessário responder com exatidão as palavras usadas pelos autores de algumas das 27 obras. Resta alguma dúvida de que as chances de reprovação aumentaram consideravelmente?

3) O estilo de prova aplicado vai contra tudo o que se estuda em Educação, inclusive contra a obra de Paulo Freire, um dos principais autores da bibliografia do concurso. Freire fala sobre o conceito de Educação Bancária, em que o professor deposita o conhecimento no aluno e espera que esse o retorne exatamente da mesma forma que recebeu. A diferença, no caso, é que os candidatos do concurso não tiveram aula sobre o livro com algum professor, mas o leram e estudaram de modo a compreender as ideias essenciais expressas pelo autor. Já que se espera que os candidatos não reproduzam essa prática nas salas de aula, a prova do concurso também não deveria submeter os futuros professores a esse tipo de situação.

4) A prova de 2013 contém erros de ortografia e, no entanto, NADA foi noticiado na mídia. A partir do momento em que o avaliador comete um erro que o avaliado não poderia cometer na prova, fica desqualificado o instrumento de avaliação. Há o uso de ACESO quando se queria dizer ACESSO e o uso da palavra ASSIMILIAÇÃO que, até onde se sabe, não existe. Essas ocorrências desqualificam o concurso, já que põem em dúvida se aconteceram porque o formulador da questão não domina a ortografia oficial.

5) Textos em questões da prova de 2013 são caracterizados por uma falta de ética estarrecedora para com os candidatos. A prova começa com um texto que afirma, sem embasamento teórico ou estatístico algum, que os professores não gostam de ler e têm, portanto, parcela de culpa nos índices de leitura brasileiros. Vai totalmente contra o caráter intelectual e científico que se espera para o concurso apresentar um texto que apresenta opiniões que são sustentadas apenas no "achismo" do autor.

6) A questão 26 da prova de conhecimentos pedagógicos, imagem em anexo, traz um exemplo de um professor que teria sido flagrado pela direção de uma escola desviando material da merenda escolar. Há imensa falta de ética e profissionalismo no trato com o professor, profissional que está constantemente sendo desrespeitado e desvalorizado, como podemos acompanhar pelos meios de comunicação, mas que exerce um grande papel na formação da sociedade. A questão 26 retrata o professor como um "ladrão". O que diriam o Secretário de Educação ou o Governador se fossem usados no lugar em que foi mencionado o professor como exemplo?

Sabe-se que os órgãos de imprensa são formadores de opinião e, se assim o são, é importante que eles permitam que a população tenham conhecimento mais aprofundado de todos os lados da história, para que cada um possa formar sua própria opinião. Espero, sinceramente, que, após a divulgação dos resultados do concurso de 2013, os professores não sejam novamente tratados pela mídia da mesma forma que foram em 2012.

Espero também que os problemas relacionados acima sejam trazidos à tona, pois muitos candidatos estão entrando com recursos contra as injustiças que sofreram no certame. Se tudo permanecer às escuras, como em 2012, será muito mais difícil reverter a situação.


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