Professores no topo do mundo

Professores no topo do mundo


Crianças possuem a capacidade mágica de se meter em encrencas, causar confusões e dizer grandes verdades sem querer. Quando alguém me perguntava “o que você quer ser quando crescer”, eu respondia “atleta, astronauta, médico e integrante do New Kids on the Block”. Mas um dia, eu percebi a minha verdadeira vocação.

Meu amigo me chamara para bater uma bolinha e eu respondi:

– Não posso, tenho que estudar.

– Poxa, João, desse jeito você nunca será um futebolista – protestou meu amigo.

Foi nesse dia, nesse momento, que quase por um erro, que quase por um acerto, eu resolvi, com toda a minha capacidade de me meter em encrenca, de criar confusões e de dizer grandes verdades, ser um educador.

Meu raciocínio foi límpido: se eu me tornar um atleta, terei que dar exemplos dentro e fora de campo; quando a minha carreira acabar, vou trabalhar como técnico; um dia, terei filhos e terei que educá-los, logo serei um professor.

Tirei notas boas e notas ruins, tive atritos com alguns professores, briguei e amei cada um deles, chorei por ficar em recuperação, comemorei por conseguir aprovação, pedi a Deus para o ano acabar e sofri quando o ano acabou.

Eu cresci. Não me tornei atleta, médico, astronauta e muito menos integrante do New Kids on the Block, mas mantive a mesma predisposição para me meter em encrencas e criar confusões.

Professor está longe de ser perfeito! “Fica quieto”, “senta direito”, “faça o seu dever”, “chegue na hora” são frases que são ditas para uma turma de 25 alunos e escutadas por 26 pessoas. Afinal, se professor também é aluno, ele também faz bagunça, senta errado, tem preguiça e chega atrasado. Professor é gente como a gente e está no topo do mundo, aonde todos, invariavelmente, um dia chegarão.

 

Autor: João Pedro Roriz é escritor, palestrante e autor do Almanaque da Cidadania, da Editora Paulus

http://www.profissaomestre.com.br/index.php/artigos/reflexao/279-professores-no-topo-do-mundo




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