PROFESSOR: Dedico a você

PROFESSOR: Dedico a você

PROFESSOR: Dedico a você, essa breve reflexão.

" Eu NOS devia, professor, essa fala!   El camino se hace al andar"   Antônio Machado

 
O lugar de onde se fala tem herança de sentido.  Sentido que emerge de  determinada cultura, em determinado espaço histórico-geográfico , reconhece o que pode ser reconhecido como história pelo público a que se dirige, no intuito de descobrir, compreender, inteirar-se, redimensionar, contextualizar e refletir a respeito do atual momento por que passa aquilo a que denominaram EDUCAÇÃO.

Como postula Paulo freire: “Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão.” Consiste, assim, em compreender que implícito à educação está o aprender a fazer, a ser, a conviver, a construir sentidos de vida e saber lidar com a complexa condição humana. E...nesse emaranhado encontramo-nos nós, educadores. Ponto!  

Ser/tornar-se educador significa adquirir domínio não apenas daquilo que concerne à sala de aula, mas dos meios e modos de embrionar novas formas de interação entre si-educandos-conhecimento. Para tal, a compreensão do meio em que se insere, a variedade cultural, étnica, diferenças de ordem vária, presentes em cada turma, em cada espaço em que deve atuar. Dever é o termo, posto que os educadores, em muitas realidades, são enviados a ministrar aulas em diferentes localidades.

Para sublinhar basta trazer um fragmento do Edital  SEDUC/RS- Concurso nº 01/2013. [...]   os candidatos nomeados poderão ser designados para exercer suas atribuições em qualquer um dos municípios que integram a jurisdição da respectiva Coordenadoria Regional de Educação (CRE) onde se inscreverem.(Grifo meu). Então o educador comprova residência X, domicílio itinerante? Até isso poderá ser subtraído dele: o direito de constituir e/ou conviver com sua família, de educar os filhos, de exercer sua cidadania?  

Essa situação caótica, por que não (?), permite rememorar Diógenes. Sim! Figura que viveu entre 413-323 a.C., não por que deambulasse com sua lanterna acesa sob sol brilhante, repetindo que “buscava um homem honesto”, mas por habitar o interior de um barril. Quiçá essa modalidade passe a fazer parte do cotidiano de alguns educadores. Por irônico que possa parecer (creia quem me lê, o tom jocoso impede as lágrimas: é para chorar).  E não é apenas a difícil tarefa de cá e lá, mas entre o 1º e último município inseridos em algumas CREs, distam mais de 150 km; quem for designado para além  de sua residência, precisará percorrer ou transferir seu domicílio, esquecer quem fica: marido/esposa, filhos...  

Há mais. A isso só terá direito, por exemplo, os 16% que lograram aprovação no Concurso Público para o provimento de cargo de Professor do Quadro de Carreira do Magistério Público do Estado do Rio Grande do Sul. Embasbaco ao constatar o ínfimo nível de aprovação.

Inquietam-me N questionamentos. A cada ano o número de universitários optantes por cursos voltados à área educacional é menor. Muitas dessas licenciaturas deixaram de existir e, os audazes que ainda as escolhem, ao prestarem concurso não logram aprovação. Serão as licenciaturas tão ineficientes? Ou os licenciados QUASE TODOS incapazes? O que está para além do oferecimento de concursos ao magistério com tão baixa aprovação? Talvez na subliminaridade da questão possa estar: “Vocês merecem o salário que recebem, demonstram incapacidade ATÉ nos concursos”.  O que andam sussurrando no breu das tocas... Incógnita!   

Se conselho fosse bom, teria alto custo. Constata-se que os alpinistas políticos não necessitam de concurso algum. Vem à mente determinado Deputado Federal que submetido à exaustiva prova para comprovar a escolaridade, após tê-la preenchido escreveu numa rede social virtual “Paçei”. Em provas dessa natureza não precisaríamos ser deputados para que fôssemos aprovados... Presumivelmente muitos deputados foram autodidatas o que merece elogios.

Não é possível que tenham frequentado bancos escolares e demonstrem tamanha insensibilidade em votar contrariamente ao Piso salarial do Magistério. Leu Teto? Não, é Piso mesmo! Se há uma Lei Nacional embasadora disso, não seria politicamente correto respeitá-la?  

É de Edgar Morin o pensamento: “Todo o desenvolvimento verdadeiramente humano significa o desenvolvimento conjunto das autonomias individuais, das participações comunitárias e do sentimento de pertencer à espécie humana.” Ora, que desumanos dias vivemos. Reporto-me aos tempos em que frequentava a escola pública e todas as manhãs à porta da casa o pai reiterava: “Respeita teus professores, eles são os pais quando lá estás”. Tempos outros quando a escola era literalmente a extensão da família.

Longe de ser tirania ou sistema ditatorial, uma tênue e imperceptível linha dividia esses dois espaços que considero sagrados: FAMÍLIA/ESCOLA. Conjunto harmônico e formador de corações, mentes, caráter, personalidade, FORMADOR... Em que momento da história perdemos isso e por quê?  

Há um estranhamento constante cerceando o fazer pedagógico. O educando, via de regra, desconhece limites, oscila entre a observância do conhecimento prévio que vem do lar e aquele que a escola faculta. Já não há mais paralelismo (creio), entre um e outro espaço. Poucos trazem para si a responsabilidade dos atos ou das escolhas – corretas ou equivocadas - dos filhos. Esse transferir a outrem a responsabilidade da formação educativa não conduz a lugar algum.

Procedimentos descontínuos, truncados, polares em que o ponto comum inexiste. Se o caminho se traça ao caminhar, estamos capengas, sem rumo. AINDA assim com que júbilo encontram-se professores acreditando em si, em seu talento, em sua dedicação e amor por aquilo que fazem. E isso tem nome: VOCAÇÃO. A sala de aula, permitam-me afirmar, é um espaço sagrado.



  Aida T. Teston professora no Ensino Fundamental, Médio, Pré-vestibular e Universitário (inativa) – exceto para Voluntariado.   testonaida831@gmail.com




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