Primeira Infância, visível ou invisível?

Primeira Infância, visível ou invisível?

Por: Yenia Silva Correa no Granma (mídia cubana)

Muitos são os esforços por parte de organizações internacionais e dos Estados enveredados a proteger a infância. Desde os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas, que advogam por conseguir o ensino primário universal nas crianças do mundo todo para o ano 2015 e por reduzir a mortalidade em menores de cinco anos, até as políticas sociais que, em nível de região e país, se projetam com este fim.

   Contudo, estas mesmas políticas, em ocasiões, não levam em conta a estimulação que o indivíduo deve receber, desde o nascimento até os seis anos, apesar de estar cientificamente demonstrado que parte importante do desenvolvimento que o sujeito atinge em sua vida posterior é resultado do que se faz e se consegue com ele durante a primeira infância. 
Neste sentido, a diretora do Centro de Referência Latino-Americano para a Educação Pré-Escolar (Celep), dr.ª Isabel Rios Leonard, afirmou que em muitos contextos ainda há certa invisibilidade da primeira infância, porque se fala das crianças, mas não das mais pequenas e “os meninos não nascem com seis anos”.

   Cuba aspira atingir o desenvolvimento integral da criança desde que nasce. Para isso se leva em conta a saúde, a formação de hábitos, o lado cognoscitivo e o estético, sendo fundamental o entorno familiar e a educação pré-escolar.

 “A educação pré-escolar — salientou Rios Leonard — existe para estimular as potencialidades das crianças nesta etapa. Poderia parecer que é válida somente como preparação para a escola e não acontece assim. A educação pré-escolar é muito importante e como resultado do desenvolvimento atingido, a criança fica melhor preparada para sua entrada na sala de aula”.

   Pesquisas cubanas realizadas em zonas rurais demonstraram que as crianças matriculavam no ensino primário e mostravam fracasso escolar. Quando foram estudadas as causas, verificou-se que os pequenos estavam insuficientemente estimulados na etapa anterior. Este estudo foi a origem do programa ‘Educa teu Filho’ que, atualmente, inclui a população infantil do país e que já tem mais de 20 anos de experiência.

    ‘Educa teu Filho’ tem um programa educativo que demonstra quais os aspectos que devem ser estimulados para cada ano de vida, embora nem todos os parâmetros sejam atingidos da mesma forma, nesta fase.

   “Como modalidade de ensino nós ainda estamos insatisfeitos com o desenvolvimento da linguagem que nossas crianças conseguem na primeira infância, mas trabalhamos o desenvolvimento do pensamento representativo, sobre a base do qual se formam o pensamento lógico e o comportamento, o desenvolvimento de sua curiosidade, seus níveis de independência, o desenvolvimento físico e os movimentos”.

   Uma das formas de tornar invisível ou não reconhecer em sua justa medida a importância da primeira infância, é acreditar que com as crianças a única coisa que se faz é brincar e que a creche tem somente uma função lúdica, critério bastante afastado da realidade.

   “Aproximadamente 80% do que se faz em Cuba hoje como estimulação é elaborado sobre a base de pesquisas científicas nacionais. Agora estamos realizando um trabalho de aperfeiçoamento, porque há novos resultados científicos que podem levar-nos a patamares superiores”, salientou a diretora do Celep.

   Atualmente, 18,6% das crianças do país são atendidas nas creches, em contraposição com os quase 467 mil pequenos e famílias, que recebem atendimento através do programa ‘Educa teu Filho’.

  Como colaboradores do Centro de Referencia Latino-Americano temos os melhores especialistas das universidades das Ciências Pedagógicas do país e das direções provinciais e municipais de Educação, que apoiam as pesquisas e as assessorias que Cuba realiza no estrangeiro. 

 
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