O ônus da crise

O ônus da crise

O ÔNUS DA CRISE PARA OS TRABALHADORES

FABIANO MARRANGHELLO ZALAZAR

Diretor de Imprensa e Divulgação do Sindicato dos Servidores da Justiça do RS

 03 de junho de 20150

Tem sido repetido e repercutido, em todas as esferas e com veemência cada vez maior, o discurso de que o poder público precisa “apertar os cintos” e “fazer ajustes” para reduzir gastos desnecessários. Já é lugar-comum a noção de que a máquina pública gasta muito e gasta mal. Entretanto, os ajustes em curso parecem não visar a tornar mais eficiente o uso do dinheiro do contribuinte, e sim, garantir privilégios. Na lógica atual, os trabalhadores arcam com o ônus da crise. Ao cortar na própria carne, o governo é a navalha, e os trabalhadores são a carne.

Os mesmos congresso e governo federal que atacam e precarizam direitos trabalhistas e previdenciários triplicam a verba de custeio dos partidos. Enquanto é propalado que os tempos são de vacas magras, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, empenhou-se em aprovar projetos bilionários de construção de shopping e prédios para uso parlamentar com dinheiro público.


No RS, o governador Sartori reitera que o Estado está quebrado, preconizando o corte de serviços essenciais, suspensão do pagamento de fornecedores, parcelamento de salários, retirada de direitos dos servidores e aumento de impostos. Todavia, em janeiro desse ano, sancionou reajustes de 14,60% a 64% nos seus subsídios, de secretários, deputados, magistrados, promotores, defensores públicos e conselheiros do TCE.


No Judiciário e MP, paga-se o auxílio-moradia de R$ 4,3 mil mensais para juízes e promotores que concentram os maiores vencimentos do funcionalismo, o que representa milhões de reais com essa benesse injustificada. No entanto, os professores estaduais têm a remuneração mais baixa do país, cerca de R$ 1,2 mil, como revelou ZH, em 23/05.


Os ajustes tão urgentes só farão sentido se forem estendidos a todos, sem favorecimentos. Não é justo que os trabalhadores continuem sendo penalizados, enquanto poucos seguem sendo favorecidos quando o assunto é austeridade com o dinheiro público.

 

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