O lugar da escola

O lugar da escola

 

Tulio Milman


Estamos todos voltando às aulas. Mesmo quem não tem filhos em idade escolar. A rotina das cidades retomará seu ritmo, os engarrafamentos e as crianças uniformizadas voltarão a compor a paisagem urbana.


Os últimos dias foram de organização. Uniformes, agendas, material novo. Voltamos a falar sobre falta de professores e sobre a precariedade de instalações físicas dos colégios. Esquecemos, mais uma vez, do tema principal, central, decisivo. Ele cabe em uma pergunta: o que e dê que forma estão ensinando aos nossos filhos?

Nos últimos anos, a polêmica sobre o salário do magistério sequestrou o debate. Não quero aqui minimizar a importância desse tema e nem atribuir aos professores a culpa pela falta de foco. Professor bem pago é pré-requisito. Somos nós, pais, que deveríamos propor a nossa pauta, que não exclui as outras. E não o fazemos.

Nossa participação no processo de educação, muitas vezes, se resume a tarefas burocráticas, como comprar itens fora da lista durante o ano ou juntar sucata para os trabalhinhos em sala de aula.

A falta de tempo nos faz empurrar para a escola uma responsabilidade que não é só dela. Formar cidadãos é uma obrigação primordial da educação, mas daquela que se recebe em casa.

Por outro lado, há escolas que adotam uma atitude dúbia. Pedem a participação dos pais, mas não abrem espaço verdadeiro para isso. “Queremos que vocês falem, mas não queremos ouvir.” Até porque muitos pais confundem participação com um suposto direito irrestrito a reclamar. Como se educação fosse apenas um produto regido pelas mesmas leis das relações de consumo mercantilista.

Estamos todos voltando às aulas. E nesse recomeço, quero poder olhar com mais atenção para os cadernos, os livros, as vitórias e as derrotas das minhas filhas. Quero ir mais à escola, contribuir com ideias e ações. Professores e diretores, sozinhos, não fazem milagres. Paredes, computadores, cadeiras. São importantes. Mas só fazem sentido se a forma estiver a serviço do conteúdo e não o contrário.

E isso, no fim, se resolve olho no olho. O do professor no do aluno. O do pai no do filho. O do filho no mundo.

 

ZH 21-02-15




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