Ministros, Ministérios, Mistérios

Ministros, Ministérios, Mistérios

Ana Elisabeth Santos de Oliveira Lima

Reportagem da VEJA 2324

 Existem momentos em que bate um cansaço tremendo quando vejo as tentativas que são feitas para que a Educação volte a ser um processo de “enfiar conteúdo” na cabeça dos alunos.

É um debate antigo, muito antigo, mas que de quando em vez volta ao noticiário. Só não dá para desistir nunca de manter a bandeira de uma Educação que realmente funcione, de base científica, com modelagem estruturada e verificada ao longo do tempo, porque se deixarmos, sinto que voltaremos a palmatória, ao milho no canto da sala para o aluno ajoelhar e ao velho “chapéu de burro”.

Tanto se fala de “bullying”, mas quando ele é oficial fica na conta de opinião, e não de crueldade. É esse o caso do discurso do Ministro da Educação de Portugal, Nuno Crato, amplamente divulgado pela VEJA dessa semana (08/09 de junho de 2013).  

 É importante colocar a data em destaque porque, se não informada, poderia parecer uma matéria resgatada de 1960. O pensamento é dessa época, mas o que o Sr. Ministro coloca é que esse é o caminho para a Educação de um país que pertence ao mesmo continente que gerou os nomes mais importantes para o pensamento pedagógico moderno e futuro, como por exemplo Jean Piaget.   

 O Sr. Ministro acredita em coisas que já se mostraram inúteis e que não representam mais nada no mundo em que vivemos, que dirá no que vem pela frente. Acredita, por exemplo, que as crianças devam decorar a tabuada e os nomes de rios, cidades e datas históricas. Você, que lê essas linhas, já passou por isso, ou seja, perdeu noites de sono para saber “de cor e salteado”, todos os afluentes do Rio Amazonas. E de que valeu isso em sua vida? Quantas vezes você usou isso ao longo do tempo? Numa mesa de almoço em família, em algum momento você citou todos os acontecimentos do Brasil Colônia, ou mesmo a cronologia exata dos acontecimentos que levaram a família impersial a se mudar para o Brasil com toda a corte?

Enfim, o armazenamento de dados para uso cotidiano suplanta qualquer coisa que tenha sido “enfiada” goela abaixo de um ser humano. E quando é necessário saber alguma coisa, os recursos que dispomos hoje em dia são muito superiores em termos tecnológicos.

O que se quer é que um aluno desenvolva a capacidade de  fazer combinatória, ou seja, pegar dados e realizar uma síntese útil. Essa é a função da inteligência. O resto é protocolo ultrapassado.  Não me alongo no assunto porque, de fato, essa é a missão desse blog: falar sobre Educação pela Inteligência, Método Psicogenético, o trabalho da escola “a Chave do Tamanho” e a estrutura que propomos para levar nossos alunos a um ponto de excelência no desenvolvimento de sua capacidade de viver num mundo em constante mudança.  

Sinto muito ver uma “autoridade” se colocar dessa forma, mas chorar, não devo. Devo lutar sempre para que um pensamento retrógrado como esse não se instale. Seria contrariar toda a minha história de vida e a memória de meu pai, Lauro de Oliveira Lima.

 




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