Ministro perdido?

Ministro perdido?

 

Luiz Araujo

Após dois meses da posse do ministro Cid Gomes na gestão do MEC já se faz necessário tentar entender os rumos que o titular da pasta pretende implementar. Sua equipe já está minimamente composta, já ofereceu inúmeras declarações à imprensa e fez movimentações políticas.

Em primeiro lugar, o novo ministro iniciou o mandato “descascando uma batata quente”, quando teve que anunciar o novo valor do piso salarial nacional. Acossado pela suspeita que não seria um gestor simpático ao piso, pelo seu passado de questionamento da legislação, anunciou 13% de correção, para afastar as suspeitas. Porém, mesmo tendo sido governador de um estado nordestino, até agora não moveu um palito para garantir as condições técnicas e políticas para a União complementar estados e municípios que comprovarem dificuldade de pagar o piso, como manda a legislação.

Em segundo lugar, tanto na composição ministerial, especialmente com a nomeação do professor Palácios para a Secretaria de Educação Básica, como seus comentários favoráveis a realização de um ENEM online, o ministro se mostra concordante com a primazia das avaliações de aprendizagem em larga escala como parâmetro de avaliação das redes escolares. Desconhece toda a crítica acumulada sobre a inconsistência deste caminho e os efeitos nocivos de sua aplicação (repasses financeiros e bonificações vinculadas ao desempenho de aprendizagem e ranqueamento de escolas e redes).

Em terceiro lugar, mas não menos importante, mostrou-se bastante fiel a política de ajuste fiscal implementado por Dilma e Levy neste segundo mandato. Disse que 7 bilhões de reais cortados do Orçamento do MEC não fariam falta, mesmo sabendo que cortar custeio das universidades e institutos tecnológicos nesta proporção causará precarização dos serviços e, possivelmente, fechamento de algumas atividades.

Em quarto lugar, fez movimentações políticas contraditórias. Ao mesmo tempo que visitou a sede da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o que poderia parecer uma postura de mais diálogo com a sociedade civil. Porém, não se movimentou na direção do atendimento de nenhum dos itens reivindicados, especialmente não fez nenhum gesto concreto para a regulamentação do Custo Aluno Qualidade, por exemplo. Foi mais uma medida de “ganhar tempo” com os adversários (no caso a sociedade civil).

E, no afã de se manter na mídia, virou piada nas redes sociais ao elogiar as virtudes pedagógicas da apresentadora Xuxa Meneguel.

Bem, são apenas dois meses, mas não foram nada animadores. Vamos ver como ele se comporta diante do início da campanha salarial dos professores e servidores das instituições federais, evento que promete fortes emoções para os próximos meses.

 

http://rluizaraujo.blogspot.com.br/2015/03/ministro-perdido.html




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