Meninos negros escravizados

Meninos negros escravizados

Documentário sobre meninos negros escravizados durante Estado Novo saiu de uma tese de doutorado

12/nov/2016

Aloísio (Foto: Reprodução/Facebook)

Aloísio Silva, o “menino 23”, um dos meninos órfãos levados para trabalhar como escravos em fazenda em São Paulo (Foto: Reprodução/Facebook)

Da Redação*

O documentário Menino 23 – Infâncias perdidas no Brasil, dirigido por Belisário Franca e lançado este ano, pode representar o Brasil no Oscar em 2017. O filme conta a história de meninos negros, com idades entre 9 e 11 anos, que durante o período do Estado Novo foram retirados de um orfanato no Rio de Janeiro e levados à uma fazenda do interior de São Paulo para trabalhar. As condições de vida, castigos físicos e psicológicos, botaram os meninos que nasceram livres de volta ao tempo da escravidão do Brasil.

Essa história que só era contada entre os sobreviventes da Fazenda Santa Albertina foi descoberta graças ao trabalho de pesquisa do historiador Sidney Aguilar, enquanto escrevia sua tese de doutorado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Segundo informações da própria universidade, durante uma aula, uma aluna de Aguiar comentou que na fazenda onde ela vivia, em Campina do Monte Alegre, no interior de São Paulo, foram encontrados tijolos marcados com a suástica nazista. O pesquisador partiu então para o município atrás da história e lá descobriu presente, no interior do Brasil, “um contexto de simpatia aos ideais de racismo e autoritarismo no Brasil”.

O trabalho de Aguiar – que recebeu o título “Educação, autoritarismo e eugenia: exploração do trabalho e violência à infância no Brasil (1930-1945)” e o prêmio Capes de teses em 2011- mostra a higienização que foi empreendida durante o governo de Getúlio Vargas através da vida de dois dos sobreviventes da Fazenda. Argemiro dos Santos, conhecido como “Dois”, e Aloísio Silva, o “menino 23”. Aloísio morreu aos 93 anos, Argemiro tem hoje 90 anos e vive em Foz do Iguaçu, no Paraná. No filme, ele conta como fugiu da fazenda e sobreviveu sendo engraxate em São Paulo.

“Construímos uma base crítica. Esse trabalho teve um pé na academia, mas também encontrou aspectos de alto valor social e histórico. E isso foi levado para o filme, por meio de reflexões sobre a história da infância em situação de risco social”,  declarou ele em entrevista ao site da Unicamp.

O trailer do documentário pode ser conferido aqui.

*Com informações do site da Unicamp

http://www.sul21.com.br/jornal/documentario-sobre-meninos-negros-escravizados-durante-estado-novo-saiu-de-uma-tese-de-doutorado/  




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