Suspensão das aulas em dias de jogos

Suspensão das aulas em dias de jogos

"Suspender as aulas em dias de partidas de futebol é questionável quando pensamos qual a mensagem a escola está passando por trás disso", afirma Christina Fabel

Fonte: Estado de Minas (MG)

A realização da Copa das Confederações no Brasil nos deixou mais próximos dos possíveis impactos na rotina dos brasileiros durante a realização do Mundial de 2014. Além dos protestos que tomaram as ruas, os cidadãos viram sua rotina alterada por questões cotidianas, como a decisão das Escolas de suspender ou não as aulas em dias de jogos. Agora, a sanção da Lei Geral da Copa obriga a paralisação das aulas durante os jogos. A decisão divide a opinião dos sindicatos dos Professores (Sinpro) e das Escolas particulares (Sinep) e dos pais, mas traz consequências culturais maiores do que se imagina.Quando a Copa das Confederações e a Copa do Mundo são realizadas em outros países, a decisão quase unânime entre os colégios da capital é paralisar as aulas apenas em casos de finais com a participação da Seleção Brasileira. Essa determinação tem como intuito evitar prejuízos ao cumprimento da carga horária mínima exigida pelo Ministério da Educação (MEC) para todas as faixas etárias da Educação básica.

Porém, a escolha do Brasil como país-sede agrava a decisão. A euforia dos brasileiros com a notícia e a realização dos jogos em Belo Horizonte fizeram com que muitos cidadãos questionassem a continuidade das aulas mesmo em dias de jogos na cidade ou durante partidas da Seleção Brasileira. Por trás da suspensão das instituições de Ensino percebe-se implicação grave.

O grande desafio educacional no país é motivar os Alunos a frequentar as salas de aula até, pelo menos, a conclusão do Ensino médio. Os dados de evasão Escolar divulgados no último Censo Escolar realizado pelo MEC mostram que 1,6 milhão de estudantes não completaram o ano letivo em 2012. O índice elevado assusta e pode ser agravado quando a Escola comunica aos Alunos sobre a paralisação de aulas por motivos pouco relevantes.

Suspender as aulas em dias de partidas de futebol é questionável quando pensamos qual a mensagem a Escola está passando por trás disso. Nenhum país é forte o suficiente sem Educação. Mesmo uma pátria de chuteiras como a nossa apaixonada por futebol e vivendo a euforia de sediar grandes eventos esportivos como esses, precisa assegurar a formação educacional de futuros craques, sejam eles dos campos ou do universo profissional.

Envolver estudantes em sala de aula é um desafio diário que exige constância e criatividade. Crianças e adolescentes merecem assumir o centro do processo educacional, valorizando a aquisição do conhecimento aliado à formação humana dos cidadãos. Mais do que ensinar as disciplinas obrigatórias no currículo educacional, é preciso formar cidadãos imbuídos das suas responsabilidades e direitos. Por isso, garantir a presença dos estudantes em sala de aula é fundamental também para aquisição de competências culturais e sociais.

Claro que não podemos ignorar o impacto na mobilidade urbana em dias de jogos em Belo Horizonte. Os riscos de paralisação do trânsito na capital mineira fizeram com que o prefeito Marcio Lacerda decretasse as datas dos jogos como feriados municipais. Em casos como esses, de realização de partidas da seleção em BH, acreditamos que a suspensão torna-se necessária para evitar que pais fiquem parados no trânsito e não consigam levar ou buscar seus filhos na Escola.

Excluída essa exceção, acreditamos que a paralisação das aulas durante todo o período da Copa do Mundo prejudicará o calendário Escolar. A decisão federal imposta pela Lei Geral da Copa será acatada por todas as Escolas, contudo acreditamos que ela vai contra as recentes exigências populares sobre a melhoria da qualidade da Educação no Brasil.
Christina Fabel Diretora pedagógica 

http://www.todospelaeducacao.org.br/comunicacao-e-midia/noticias/28181/opiniao-suspensao-das-aulas-em-dias-de-jogos




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