Greve é rejeitada

Greve é rejeitada

Professores do Estado rejeitam greve, por enquanto, e decidem por mobilizações

Na assembleia desta sexta-feira no Gigantinho, maioria da categoria decidiu por não fazer greve, por enquanto| Foto: Guilherme Santos/Sul21

Na assembleia desta sexta-feira no Gigantinho, a maioria da categoria decidiu por não fazer greve, por enquanto| Foto: Guilherme Santos/Sul21

Jaqueline Silveira

Em assembleia na tarde desta sexta-feira (18), no Gigantinho, em Porto Alegre, os professores da rede estadual rejeitaram greve imediata e definiram um calendário de mobilizações em protesto às políticas implantadas pelo governo José Ivo Sartori (PMDB) na área da educação, além de projetos que afetam os servidores públicos. Uma nova assembleia será realizada no mês de abril, quando a categoria deverá bater o martelo sobre a deflagração da greve.

Depois da assembleia, os professores seguiram em marcha até o Palácio Piratini para entregar a pauta de reivindicações ao secretário estadual da Educação, Vieira da Cunha (PDT). Desde a última terça-feira (15) até esta sexta, parte dos professores do Estado havia aderido à greve nacional, convocada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) pelo cumprimento do piso do magistério.

A situação política delicada do país com o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) em análise na Câmara dos Deputados, os projetos do governo Sartori que prejudicam o funcionalismo público e a necessidade de construir unidade em torno da greve pautaram as manifestações dos professores que se revezaram no microfone. “Nós temos de tomar o nosso lugar contr o impeachment, pode estar chegando um governo de direita, autoritário, um governo cheio de corruptos”, alertou o professor Clóvis de Oliveira. Em certo momento das intervenções, a maioria dos professores gritou “Não vai ter golpe.”

Especificamente sobre a greve, os representantes do grupo opositor à atual direção defendeu a paralisação de imediato. Ex-presidente do Cpers, Rejane Oliveira afirmou que o governo Sartori já aprovou na Assembleia Legislativa 11 projetos “atacando os trabalhadores”, não havendo, portanto, motivos para adiar a deflagração da greve. “Nós só temos dois caminhos a percorrer: ou fazemos uma greve, ou o governo Sartori vai continuar arrancando nossos direitos”, bradou a professora. Durante a assembeia, Sartori foi chamado de “carrasco” pela categoria.

Maioria dos professores, inclusive, a direção optou por fazer mobilizações e construir a unidade em torno da greve |Foto: Guilherme Santos/Sul21

Maioria dos professores, inclusive a direção, optou por fazer mobilizações e construir a unidade em torno da greve |Foto: Guilherme Santos/Sul21

“A greve é o último instrumento quando não existe mais possibilidade de avançar. Fazer uma geve hoje é sair derrotado”, justificou a presidente do Cpers, Helenir Aguiar Schürer, acrescentando que em 30 dias poderão construir uma paralisação “massiva”, com o fim de pressionar o Palácio Piratini a aprentar uma proposta salarial à categoria. A dirigente sindical frisou que até hoje o diálogo com o governo Sartori não teve avanços. “A gente teve uma conversa de mongo: uma fala, outro não houve”, ironizou Helenir, sobre a relação com o Piratini. Dos 42 núcleos do Cpers, 27 se posicionaram contra a greve em suas assembleias regionais, oito por pralisação e sete por acatar decisão da assembleia.

Depois de decidirem empurrar a paralisação para adiante, os professores aprovaram um calendário de mobilizações, que prevê, entre outras atividades, aulas de cidadania, plenárias regionais e municipais e realizar campanhas “Fora Vieira” devido “às ameças da Seduc à categoria.” Também aprovaram uma pauta de reivindicações, entre elas, pagamento do piso nacional do magistério, investimento de 35% na educação, manutenção dos planos de carreira dos professores e dos funcionários e também do IPE (Instituto de Previdência Social) Saúde.

No encerramento, os opositores à direção do Cpers protestaram pelo fato de o atual comando não colocar em apreciação o apoio às manifestações contra o impeachment e em defesa da democracia. “O Cpers tem lado e sempre terá. Será sempre do lado da democracia”, respondeu Helenir, aos questionamentos. Ao final, a presidente do Cpers disse que a participação do sindicato nas manifestações foi aprovada no conselho-geral da entidade e que o grupo deveria ter sugerido como uma das propostas, caso quisesse discutir na assembleia desta sexta.

Depois da assembeia, os professores partiram em caminhada até o Palácio Piratini para entregar pauta de reivindicações |Foto: Guilherme Santos/Sul21

Depois da assembeia, os professores partiram em caminhada até o Palácio Piratini para entregar a pauta de reivindicações |Foto: Guilherme Santos/Sul21

Após a assembleia, a maioria dos professores seguiu em caminhada até o Piratini. No trajeto, cantavam “Trabalhador na rua, Sartori e culpa é tua” e “Eira, eira, fora Vieira.” Também procuravam dialogar com quem estava nos ônibus e aguardava a passagem dos manifestantes. “Ninguém quer atrapalhar a vida de ninguém que está indo para casa”, dizia um dos professores do alto do carro do som, ressaltando que a categoria já acumula uma defasagem salarial de 69.40%.

Confira mais fotos da assembleia:

Foto: Guilherme Santos/Sul21

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