Eu não tenho uma Ana

Eu não tenho uma Ana

Eu não tenho uma Ana, aquele abraço a todos os educadores do Brasil

Por Renato Uchôa, Educador

         Com o maior ou menor desconto, a opção é de todos nós, de cada um, não é a educação (importante contribuição) que transformará a sociedade de classe, na qual uma se sobrepõe e escraviza a outra, pelo consenso ou pela força. Impondo um controle rigoroso nas instituições. Em todas, da sociedade civil ou política. E nas educativas propriamente, comumente entendidas; das idéias pedagógicas, do material pedagógico, da formação dos educadores, destaque o ritual a que somos submetidos.

 Componentes básicos do fenômeno educativo que se refletem na postura de todos nós (enquanto) educadores, e que se estendem para além da escola, nas formas de relacionamento, na concepção capitalista da posse: a minha sala, minha turma, minha opinião, minha mulher, o meu cachorro. Nos espaços diversos. Cotidianamente, faça chuva ou sol.

As razões para ruptura do processo da concepção, do modo de vida das camadas dominantes, europeizadas por séculos de exploração, com a eclosão e hegemonia cultural e moral das camadas subalternas, têm outro endereço: as relações de escravização no processo de produção. Que as alija do resultado do trabalho e que produz em série uma legião de condenados, apenas à sobrevivência. E são milhões no mundo todo, vivendo abaixo da linha de pobreza, confinados em espaços que contém todas as formas de violência: contra a mulher, negros, índios, homo afetivos, crianças idosos, e muito mais.

Violência, portanto, ensinada e incitada pelo ódio das camadas dominantes nos seus espaços de convivência, entre as diversas frações. O privilégio é inerente as frações que compõem o bloco que já desfila em todas as ruas e praças.

E nos educadores, de todos os dias, pela especificidade do trabalho que nos aparenta diferente, pelas condições aviltantes a que somos submetidos; salários miseráveis, jornadas desgastantes, péssimas condições materiais, não podemos ter receio de nos consideramos trabalhadores. E quando assim nos entendemos, a nossa contribuição no processo de transformação da sociedade, juntamente com os outros, assume uma dimensão educativa na superação da discriminação, pela formação autoritária, que consciente ou não, também se reflete nos filhos das camadas subalternas, pela violência imposta tanto nos conteúdos, como na forma de olharmos. Em sendo, ao contrário do que possa parecer.

O receituário educativo prescrito nas Universidades, que tem no geral, como princípio ativo a concepção de mundo das camadas dominantes, atua na formação dos profissionais descarregados nas diversas instituições, para atuarem em função da manutenção consensual do modo de vida delas (camadas dominantes). O que determina em função das idéias pedagógicas da classe dominante, as dominantes em qualquer época da historia, tornar proscrito, à concepção da outra (camadas subalternas), como subproduto do conhecimento.

A nossa postura como educadores, pela circulação das concepções nas instituições da sociedade civil, portanto, essencialmente, se reveste de grande importância na destruição da pseudoconcreticidade.

E aqui no Piauí, quando não se tem um R$1,00, a gente diz assim: “Eu não tenho uma Ana”. 

 

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