Escola que queremos e precisamos

Escola que queremos e precisamos

A escola que a gente quer e precisa

Secundaristas de instituição ocupada no grande ABC abrem as portas e contam seu dia a dia

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Ao adentrar a Escola Estadual Professor Oscavo de Paula e Silva, localizada em Santo André, no ABC paulista, o cheiro cítrico já toma conta de nossas narinas. A reportagem da UBES chegou durante um dos mutirões de limpeza realizado pelos próprios estudantes que ocorrem diariamente na instituição.

Ocupados desde o dia 13 de novembro, sexta-feira, a luta contra o fechamento das aulas noturnas, apresentado no projeto de reorganização proposto pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), acarretaria na transferência de cerca de 300 secundaristas para escolas distantes de suas casas, prejudicando grande parte daqueles que trabalham durante o dia e estudam no período da noite.

De acordo com a estudante do primeiro ano, Camila Garcia, 16, que trabalha em um restaurante no período da manhã, foi necessário sua liberação do trabalho para que ela pudesse estar nas ocupações. “Eu conversei com meu gerente e ele me liberou para estar aqui, porque tem mais um aluno de outra escola que trabalha lá e também está na ocupação e acho que ele reconheceu a importância dessa luta”, declara.

Ainda com utensílios de limpeza em mãos, os estudantes relatam um pouco do cotidiano deles dentro da ocupação. “A escola é um patrimônio nosso, por isso precisamos cuidar dela, inclusive, além da limpeza, da alimentação e da segurança, estamos até fazendo reciclagem, coisa que normalmente não acontece aqui”, afirma o estudante do primeiro ano,  Ediclécio de Jesus, 16.

Há 13 dias ocupados, já aprenderam a se organizar e as atividades ocorrem espontaneamente sempre priorizando o bem do coletivo, tudo é decidido em assembleias. “Os estudantes estão se articulando super bem, eles realmente estão de parabéns”, diz a professora Ana Maria, que diariamente aparece pelos portões da instituição para saber como estão seus alunos.

Todos os produtos utilizados na manutenção da instituição e na alimentação dos próprios secundaristas foram arrecadados. Diariamente recebem doações de todos os lugares. “O tempo todo chega alguma coisa, a maioria delas foram cedidas por pais, professores e alguns coletivos que estão nos ajudando bastante”, explica Camila.

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Fortalecendo o movimento com empoderamento

Os estudantes mencionam que há poucos dias houve uma tentativa de minimizar a importância do movimento por parte da direção. “A diretora da nossa escola marcou uma reunião com os pais para falar que a nossa luta não é legítima e que nós estamos prejudicando as aulas dos demais alunos”, afirma Guilherme Botelho, 16, presidente do Grêmio.

Com muito empoderamento e responsabilidade, os secundaristas tentam reverter esse quadro negativo que a administração da instituição insiste em disseminar. Eles buscam dialogar com os pais que aparecem pela instituição e fornecem aulas públicas e espaços para debate para os próprios estudantes fortalecerem o movimento. “Nós queremos o apoio da comunidade então a gente busca respeitá-los e nos organizar,” explica Ediclécio.

Existe uma grade extensa de atividades como oficinas, debates, aulas públicas e até saraus. Eles explicam que as pessoas passam próximo a instituição e ao notarem as bandeiras que informam a ocupação, muitas delas se disponibilizam em ajudar com atividades, o mesmo acontece com as doações. “Ontem mesmo, uma moça que faz teatro se ofereceu para dar uma aula para nós e foi super legal, todos participaram”, conta Camila.

Sem previsão para encerrar a ocupação, os secundaristas já planejam novas ações para modificar a instituição e adequá-la ao ensino que a juventude quer e precisa. “Estamos com planos de grafitar a quadra que está muito sem graça, queremos deixar com a nossa cara, tirar toda essa ferrugem e mancha nas paredes”, expõe Ediclécio.

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