Diretora é espancada por aluno de 15 anos

Diretora é espancada por aluno de 15 anos

Diretora é espancada no rosto por aluno de 15 anos.


Declev Reynier Dib-Ferreira



Essa notícia, apesar de recente, não é nova, já correu o mundo da internet, como todos devem estar sabendo.


Mas, gostaria de dizer algumas coisas a respeito.


Temos, a  todo instante, dentro da escola, desentendimentos com os alunos e estes devem ser sanados. Mais do que normal, considerando que a escola também tem o dever de educar, não é mesmo, Regina Milone?


Ora, quem tem filhos – e educa os filhos – sabe que pontos de tensão são formados e desfeitos a todo instante. Basta ter uma criança ou adolescente dentro de casa.


Isso também acontece na escola, mas com muito mais frequência e intensidade, considerando que são centenas de crianças e adolescentes juntos. Dentro de uma sala de aula são dezenas deles com um único profissional por vez.


Então, trabalha-se também atitudes, para além do conhecimento de um determinado conteúdo.


Dito isso, é imperioso definirmos – em conjunto, não somente dentro da escola – quais as melhores maneiras de se enfrentar essas tensões.


Para começar, o radicalismo de ambos os lados – como, em geral, todo radicalismo – é burro.


Portanto, passar a mão na cabeça dos alunos e “deixar pra lá” só vai fazer a corda se tensionar até o ponto de estourar. Seja em relação um pequeno ato, seja em relação a algo grave.


Por outro lado, “diminuir a idade penal” é uma opção reacionária, injusta e, igualmente, ineficaz. Assim como tratar quaisquer problemas com crianças e adolescentes, indisciplinares ou outros, como crimes e casos de polícia.


O fato, então, está em como se lidar com isso sem cair nos dois radicalismos burros.


E isso, para mim, passa por determinadas sansões, que devem ser sensatas e ter o caráter educativo, focado, sim, no bem do aluno, mas também no bem da escola como um todo, envolvendo os outros alunos, professores, demais funcionários.


Tive uma conversa com a Regina Milone sobre isso aqui no blog, quando comentei o artigo dela Violência de alunos contra professores.


Ela afirmou que é errado tirar o aluno da escola, mas eu acho certo.


Quando se chega a este nível de agressão – ou mesmo se não chegar à agressão, mas a um determinado nível de problemas – é porque a escola, com certeza, já esgotou todas as possibilidades de ações ou de não ações, se for o caso do “deixa pra lá”. Mas, aí, não dá mais pra voltar atrás.


De certa forma, jé deixei claro por aqui que sou a favor de punições – adequadas, diga-se de passagem – pois a impunidade não é educativa. Escrevi sobre isso em 20 de junho de 2010, no artigo “Filhinho de papai”.


Portanto, e finalmente, antes de se chegar a este nível, a Educação tem que pensar em punições aos alunos (sem o blablablá de que professores também devem ser punidos, porque isso pra mim é mais do que lógico), adequadas e educativas.


No caso deste alunos que chegou à agressão física, portanto, apenas a sua transferência, para mim, é uma punição até branda demais. Parece-me mais um troféu.


Não tenho respostas prontas, mas outras ações, envolvendo também a família, deveriam – e devem, em todos os casos – ser tomadas.


Ainda retornarei a este assunto algumas vezes.


Abraços,


Declev Reynier Dib-Ferreira
Professor de sala de aula, vivendo situações reais e diárias




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