Dados do Censo Escolar

Dados do Censo Escolar

Censo Escolar: dados a favor da gestão

Ao enviar as informações da sua escola para o Inep, aproveite pra analisá-las

Camila Camilo (camila.camilo@fvc.org.br)

 

Ao enviar as informações da sua escola para o Inep, aproveite pra analisá-las

Em maio, os diretores escolares já devem ter enviado para o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) algumas informações sobre a escola: o número de alunos, de professores e de membros da equipe gestora, dos equipamentos e da infraestrutura disponíveis, entre outras. Em 2014, a partir de 3 de fevereiro, o órgão vai começar a receber o restante das informações. Agora, o foco está na situação do aluno (leia o cronograma completo na última página).

Com base nesses dados, o Inep calcula anualmente as taxas de rendimento - aprovação, reprovação e abandono(veja o gráfico com esses indicadores na última página) e de distorção idade-série. Já as taxas de transição (promoção, repetência e evasão) não são divulgadas desde a edição de 2005.

A veracidade das informações e a confiabilidade do levantamento dependem do cuidado com o qual cada uma das cerca de 190 mil escolas, públicas e privadas, preenchem o questionário disponível no sistema do EducaCenso, que você pode acessar aqui. Não é uma tarefa fácil, pois exige a consulta a vários documentos e registros, toma tempo de quem fica responsável pela preparação dos dados e exige o acompanhamento e a aprovação do gestor. Afinal, é ele quem tem um código e uma senha para acessar o sistema e é o responsável pelas informações prestadas.

Muitas vezes pode parecer um procedimento apenas burocrático exigido pelo governo, porém o censo não deve ser encarado dessa maneira. Os números levantados têm um propósito: eles servem para traçar um panorama das condições de ensino, o que é fundamental para a elaboração de políticas educacionais tanto no âmbito nacional como no estadual e no municipal. "As decisões em um país grande como o Brasil só podem ser produzidas com base em um levantamento como o Censo Escolar, pois ele fornece um diagnóstico preciso e indica em que áreas os recursos são mais necessários", afirma Ruben Klein, especialista em estatísticas educacionais da Fundação Cesgranrio, no Rio de Janeiro.

A utilidade não fica somente nas esferas maiores: a própria escola tem como aproveitar os dados para analisar a sua situação. É possível traçar um histórico da evolução dos indicadores e compará-los com o de outras unidades da mesma região e da rede e, com eles, embasar as decisões antes e durante a elaboração de projetos institucionais.

Foi o que fez a rede de ensino de Parauapebas, a 836 quilômetros de Belém. Veronice Carneiro, formadora de gestores e diretora técnico-pedagógica da Secretaria Municipal de Educação, conta que a análise dos dados do Censo Escolar faz parte da rotina dos supervisores técnicos. Na reunião de formação, os diretores das 54 escolas que compõem a rede são agrupados segundo a modalidade e os segmentos de ensino ofertados em cada unidade e um dos pontos da pauta é justamente a avaliação dos resultados do Censo Escolar, sempre considerando os indicadores dos três anos anteriores. 

A reflexão ajuda na visualização dos índices em que houve evolução e dos que exigem alguma ação para melhorá-los. Em um desses encontros, a equipe observou que o abandono na Educação de Jovens e Adultos (EJA) havia crescido. Durante a investigação, contatou-se que os jovens de 15 e 16 anos - maior público da modalidade - sentiam medo ao voltar à noite para casa e por isso deixavam de estudar. Fez sentido, porque a EJA só era oferecida no período noturno, em poucas unidades, o que obriga parte dos estudantes a deslocamentos nem sempre seguros. "Passamos a oferecer aulas à tarde. Hoje, eles se sentem mais tranquilos com o novo horário e o índice de frequência voltou a subir", conta Veronice.


As informações enviadas voltam como recursos

Ao enviar as informações da sua escola para o Inep, aproveite pra analisá-las

Desde 2007, os dados referentes ao número de matrículas, no resultado do Censo Escolar, deixaram de ser agregados por escola e passaram a ser coletados por aluno. Ou seja, cada estudante tem um código de identificação que permite verificar, por exemplo, se ele está vinculado a mais de uma instituição. Com isso, o poder público consegue saber quantos abandonaram a escola e quantos evadiram. Essa é uma ferramenta preciosa para calcular o número de crianças e jovens que estão fora das salas de aula, possibilitando a criação de programas e estratégias para incluí-los e aumentar cada vez mais o atendimento.

A atual metodologia usada nesse levantamento possibilita ainda um maior controle sobre o repasse dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), principal fonte de financiamento do ensino básico no país, repartido entre as redes de acordo com a arrecadação de recursos em cada estado e o número de matrículas. Outras verbas também são transferidas com base nas informações repassadas via Censo Escolar, como as destinadas à aquisição de merenda, ao financiamento do transporte escolar, à distribuição de livros e ao Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE).

O EducaCenso também permite que os gestores escolares compilem as informações de sua escola. Com poucos cliques, é possível ter acesso à relação de alunos por turmas, de professores sem Ensino Superior e de estudantes que utilizam o transporte escolar, entre outros dados. Nesta página, o Inep tem um serviço de navegação guiada, com orientações sobre como gerar os relatórios. Eles podem ser usados para justificar as demandas da unidade - mostrando à rede quantos ônibus a mais são necessários para atender todos os alunos e quais programas de formação os docentes precisam.

Por tudo isso, vale ficar atento aos prazos e garantir que as informações repassadas tracem um diagnóstico verdadeiro da sua escola. Os diretores são responsáveis pela exatidão dos dados declarados e pela guarda dos documentos administrativos e pedagógicos que comprovam a matrícula e a frequência do aluno. "A informação boa e exata é uma ferramenta importante para qualquer gestor", afirma Jorge Abrahão, analista de planejamento e orçamento do Ministério do Planejamento.

Erros mais comuns

Veja os equívocos recorrentes nesta 2ª fase

  • Alunos informados como aprovados em 2012 e que em 2013 ficaram na mesma série.
  • Alunos informados como reprovados em 2012 e que em 2013 avançaram.
  • Alunos informados como transferidos e que não constam em nenhuma outra escola.

Em caso de dúvidas, fale com a Diretoria de Estatísticas Educacionais do Inep pelos telefones: (61) 2022-3180 / 3183 / 3184 ou 0800-616161.

Cronograma do Censo Escolar 2013

Primeira etapa
 
 
 
 
Período  
De 29 de maio a 31 de julho de 2013 Envio de informações sobre número de alunos, professores, diretores, equipamentos, infraestrutura, turmas, etapas, modalidades de ensino e disciplinas, entre outros.
23 de setembro de 2013 Publicação da versão preliminar dos resultados para as escolas fazerem as retificações, se forem necessárias.
22 de outubro de 2013 Fim do prazo para finalização da retificação por parte das escolas.
Dezembro de 2013 Publicação no Diário Oficial da União do número de matrículas por estado e município.
Segunda etapa
 
 
 
De 3 de fevereiro a 20 de março de 2014 Abertura do sistema do EducaCenso para preenchimento das informações sobre a situação atual dos alunos (aprovação, reprovação, abandono e transferência).
Previsão: abril Publicação preliminar dos resultados pelo Inep.
15 dias após a data anterior Prazo para as escolas retificarem os dados.
Previsão: maio de 2014 Divulgação do Censo Escolar 2013.

Evolução das taxas de rendimento no Brasil 

Veja os indicadores dos últimos Censos Escolares calculados com base nas informações enviadas pelas escolas 

Ensino Fundamental

Situação
2007
2008
2009
2010
2011
2012
Aprovação
83,1%
83,8%
85,2%
86,6%
87,6%
88,2%
Reprovação
12,1%
11,8%
11,1%
10,3%
9,6%
9,1%
Abandono
4,8%
4,4%
3,7%
3,1%
2,8%
2,7%

Fonte: MEC/INEP/Censo Escolar

Em 2012:

De 29,7 milhões de matrículas: 

  • 2,7 milhões de reprovações
  • 801,9 mil de abandonos

Ensino Médio 

Situação
2007
2008
2009
2010
2011
2012
Aprovação
74,1%
74,9%
75,9%
77,2%
77,4%
78,7%
Reprovação
12,7%
12,3%
12,6%
12,5%
13,1%
12,2%
Abandono
13,2%
12,8%
11,5%
10,3%
9,5%
9,1%

Fonte: MEC/INEP/Censo Escolar

Em 2012:

De 8,3 milhões de matrículas: 

  • 1 milhão de reprovações
  • 762,2 mil de abandonos

 

http://gestaoescolar.abril.com.br/aprendizagem/censo-escolar-dados-favor-gestao-escolar-779720.shtml?page=0 

 




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