Criança negra na escola

Criança negra na escola

5 coisas que toda criança negra aprende na escola

Por: Leopoldo Duarte 

Postagem: 16/12/2015

5 coisas que toda criança negra aprende na escola

Desde janeiro de 2003 foi sancionada no Brasil a lei 10.639/03, que torna obrigatória a inserção, no currículo escolar nacional, conteúdos sobre a história e a cultura Afro-Brasileira e da África — antes da colonização pirataria européia.

Uma importante conquista para a educação de um país formado através da depredação e do silenciamento de tudo e todos que contrariassem a supremacia europóide. No entanto, infelizmente, mesmo após 12 anos de sua criação, a lei ainda não vingou — essa e a 11.645/08, que inclui a temática indígena desde 2008. Não são poucos os educadores que encontram desculpas para permanecerem na ilegalidade, e é pensando nestes exemplares profissionais que elaborei esta lista.

SUBALTERNIDADE AFRICANA

Em biologia ensina-se que o berço da humanidade é a África, porém nas Ciências Sociais, geralmente, pula-se do paleolítico para Grécia Antiga num piscar de olhos. Parece até que os filósofos gregos não se educavam no Egito (Kemet) — ou que as civilizações europeias clássicas não tinham A Terra dos Pretos como um norte. Em outras palavras: a história e a cultura africanas não começaram quando europeus decidiram escravizar a população negra e saquear suas terras, recursos e patrimônios. A história das pessoas negras não começou com a escravidão e vai além das dinastias faraônicas mencionadas, aqui, passageiramente.

A CRUELDADE DA COLONIZAÇÃO PORTUGUESA PERMANECE NA LÍNGUA

Embora respeitados linguistas brasileiros defendam que o português brasileiro apresenta forte influência do banto, o caráter crioulo da nossa língua — chamada inclsuive de Pretoguês — continua sendo invisibilizado em reverência ao maior vínculo herdado do colonizador. A língua portuguesa tida correta permanece a mesma imposta aos negros da terra e africanos subjugados no “Novo Continente”. E, ainda hoje, se você é uma criança negra ou indígena com pretensão de se tornar uma pessoa adulta respeitável, o mais apropriado a fazer é aprendê-la branquissimamentebem. Apesar dos perversos métodos para reprimir as diversas línguas-mãe, João do Rio registrou a existência de falantes de uma língua yorubanto no Rio de Janeiro do início do século XX, comunidades indígenas ainda preservam o que ainda é tratado com descaso pelas autoridades e a estrutura da nossa língua portuguesa é fortemente influenciada por isso.

CULTURA GERAL LIMITADA

Toda contribuição à cultura brasileira vinda dos colonos europeus e asiáticos são demarcadas na nossa cultura: tradições portuguesas, anglicismos, arquitetura espanhola, pratos da nonna, urbanização francesa, pastel chinês, Oktoberfest, “método japonês” etc. Porém o mesmo não acontece com todas as contribuições negras. A feijoada, o candomblé, o samba, a capoeira, o maculelê, o acarajé e tantos outros foram frutos apropriados pelo “patrimônio brasileiro”. Isto é, a pedra continua portuguesa, mas o afoxé cantando em iorubá tem patente brazuka. Estes elementos culturais, apesar de terem nascido em comunidades negras, foram adotadas usurpadas pela nação. Não por mera vilania, mas também porque sem os africanos e indígenas, a cultura brasileira não passaria de uma xerox vira-lata da cultura colonizadora, que ainda nos faz perceber tudo o que descende de africanos não-brasileiros como primitivo ou exótico. 

GEOGRAFIA DEPAUPERADA

Para boa parte dos vestibulandos de hoje é mais fácil traçar uma linha do tempo remontando todos os fluxos de imigração européia e asiática que chegaram ao Brasil do que mencionar três das etnias africanas traficadas pra cá e fazer distinções entre elas tal qual é possível fazer das etnias-nações europeias. Os conhecimentos gerais sobre a conjectura política-cultura européia também são muito mais esmiuçados do que a do continente donde descendem metade da população tupiniquim. Não é incomum pautar a geografia africana somente para apontar seus vastos recursos naturais sem qualquer associação entre a exploração caucasiana disso com todos os conflitos e mazelas que os mesmos cultivam por lá.

REPRESENTATIVIDADE INSIGNIFICANTE

Pessoas negras louváveis são sempre exceção. Mártires ou massa anônima. Grandes nomes de um passado já ultrapassado, enquanto que pessoas negras que deram errado estão em qualquer noticiário ou estatísticas de miséria e violência. Como esperar que crianças construam uma imagem positiva de si mesmas quando nas escolas os próprios educadores, que se consideram pessoas cultas, beberam apenas da fonte hegemônica de conhecimento? Quando a maioria das pessoas com conhecimento a transmitir são brancas e as pessoas negras servem mais para guardar os portões, zelar pela segurança e pela limpeza dos alunos e da escola? Como podemos fortalecer nossas crianças quando a História nos conta que todos os negros que se revoltaram contra a opressão racista foram exemplarmente assassinados. Até mesmo aquele que pregava a manifestação pacífica, vestia terno, fala polidamente e cultuava o mesmo Deus europeu do opressor?

Enfim, poderia me delongar aqui e explicar mais razões pelas quais é necessário ampliarmos os nossos referenciais de sucesso, gênero, sexualidade, civilização, sociedade para além da ótica positivista dos europeus, mas o fato de, talvez, você não saber a que me refiro exatamente ilustra bem a falta que essas perspectivas fazem no ilustramento de qualquer pessoa. Traduz perfeitamente o tipo de deficiência que provoca a folclorização dos africanos e indígenas brasileiros. Então, caso você tenha alguma criança próxima em idade escolar, exija a coordenação pedagógica que cumpra com a legislação vigente para que um dia a nossa educação possa ser tão plural e acolhedora como pretendemos ser como nação. 

Leia também: 

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Fonte: Revista Fórum

http://www.ceert.org.br/noticias/educacao/9439/5-coisas-que-toda-crianca-negra-aprende-na-escola 


Por uma infância sem racismo

Participe www.infanciasemracismo.org.br 

Com a campanha Por uma infância sem racismo, o UNICEF e seus parceiros fazem um alerta à sociedade sobre os impactos do racismo na infância e adolescência e sobre a necessidade de uma mobilização social que assegure o respeito e a igualdade étnico-racial desde a infância.

Baseada na ideia de ação em rede, a campanha convida pessoas, organizações e governos a garantir direitos de cada criança e de cada adolescente no Brasil.


6 atitudes que NÃO promovem a igualdade étnico-racial dentro da escola

Por: Juliana Gonçalves      28/05/2015

1º Blackface não é legal

BLACKFACE

Ao trabalhar a temática evite pintar o rosto de crianças brancas com tinta preta/marrom. Além de ofensivo, essa atitude não ajuda na conscientização dos estudantes. Ao invés disso, chame para o centro da atividade os estudantes que realmente são negros. O/a aluno/a não-negro/a deve entender que tem um papel importante na construção de uma sociedade igualitária e na valorização da cultura afro-brasileira mesmo não sendo negro. (Em tempo, para entender melhor porque essa atitude não promove a igualdade e é preconceituosa, entenda como o blackface surgiu neste texto da blogueira negra Charô Lastra: Blackface, yes we can!)

2º Palha de aço não é material didático

Não raro ainda insistem em representar o cabelo crespo com palha de aço em atividades escolares. O problema desse “recurso” é que “cabelo bombril” é justamente um dos xingamentos mais comuns usado contra negras e negros. Ou seja, uma forma depreciativa de se referir ao cabelo crespo. Ao invés disso, incentive as crianças negras a dizerem como gostariam de ter o cabelo representado – bolinhas de papel crepom, macarrão parafuso, desenho livre a mão, feijão preto etc.

3º Somos livres!

Zumbi

A escravidão deixou um legado de desigualdade indiscutível. Exatamente por isso, positivar a imagem do negro e da negra brasileira é tarefa constante e o primeiro passo é fugir da velha imagem do escravo acorrentado que aguarda passivo sua libertação. Ao invés disso, se for falar do passado, busque os reis e rainhas africanos/as e negros/as brasileiros/as que se destacaram na luta pela liberdade como Dandara, Zumbi, Luiza Mahin.

4º O cabelo é bom, ruim é o racismo

Cuidado ao se referir ao cabelo das crianças como “ruim , duro, pixaim”. No lugar use palavras como “crespo”. “enrolado”, “afro”.

5º Cuidado com a síndrome de senhorita Morello

 

Chris. Vocês negros têm uma capacidade incrível de dissimular. Vai ser ótimo ter um negro representante na peça!”

Mesmo sendo um seriado cômico, em um único episódio de “Todo mundo odeio o Chris” dá para entender o quão necessário é estudar sobre a cultura e vivências de um povo para não reproduzir estereótipos mesmo com “toda a boa vontade do mundo”, assim como a senhorita Morello.

6º Bibliografia: nada de parar no tempo

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É primordial atualizar a bibliografia que será trabalhada com alunos/as. Antes de começar, pesquise para ver o que encontra de opiniões sobre o livro/vídeo que pretende adotar em sala de aula. Há alguns livros que já são considerados ultrapassados ou problemáticos na abordagem de raça, então é bom estar atento/a.

Leia também

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Fonte: CEERT

 

http://www.ceert.org.br/noticias/educacao/7053/6-atitudes-que-nao-promovem-a-igualdade-etnico-racial-dentro-da-escola 




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