Cortes de bolsas sem critérios

Cortes de bolsas sem critérios

Cortes de bolsas sem critérios em edital

Postado por Juremir Machado da Silva
em 1 de março de 2015 


A vaca só não vai para o brejo por falta de caminhão. Parou tudo. Especialmente o governo de Dilma Rousseff. Os caminhoneiros estão cobertos de razão. O diesel está muito caro numa época de queda dos preços do petróleo e de roubalheira na Petrobras. Para tentar sair do buraco negro, o governo quer atolar os menos aquinhoados ceifando direitos trabalhistas com apoio dos velhos cães de guarda da mídia lacerdista. Para convencer a plebe a engolir o pepino, insinua que vai taxar grandes fortunas e acabar com o fator previdenciário. A vaca tossiu. Mas o vaqueiro já não crê em promessa pós-eleitoral.

De quebra, a tesoura do governo federal não para de atacar. Segundo o jornal O Globo, “O Ministério da Educação (MEC) cortou 64,6% (7.109) das 11 mil bolsas previstas para a edição deste ano do programa Jovens Talentos para Ciência. Isso representa um corte de R$ 34,1 milhões dos R$ 52,8 milhões do orçamento previsto para o projeto”. É grave. Mais grave ainda é a forma como se deu o corte: foram selecionados “estudantes que alcançaram nota igual ou superior a 60 no processo seletivo”. O probleminha jurídico e ético é que no edital do concurso deste ano não previa qualquer nota de corte”.

É uma velha política da Capes mudar as regras do jogo com o jogo andando. Faz editais ruins, esquece critérios fundamentais, atrapalha-se e depois resolve com bem entende. Como faz tradicionalmente, a Capes racionaliza: o edital falava em até 11 mil vagas, “sendo assim, o resultado divulgado nesta quinta-feira está de acordo com o previsto na chamada”. Só que a regra de corte foi inventada depois. “A Capes, no entanto, não explicou porque utilizou um critério de nota de corte que excluiu parte dos candidatos, apesar de o edital deste ano não prever isso”, diz a notícia de O Globo. Um estudante, ainda segundo o jornal carioca, reclamou, mas, “para evitar constrangimento e exposição”, pediu para não ser identificado. Típico: a Capes dá medo. A lei do silêncio é garantia de vida.

Que tempos fantásticos! Bolsas são cortadas a partir de critérios inexistentes em edital. Passagens áreas são aprovadas para cônjuges de deputados federais. Juiz dá voltinha em carro de luxo que ele mesmo confiscou de réu. Governo de Partido dos Trabalhadores adota medidas dos sonhos dos seus opositores, que fingem não gostar. Parlamentares patrocinados por empreiteiras integram comissão de inquérito que irá investigar os seus benfeitores. Só pode ser o efeito dos 7 a 1 que levamos da Alemanha. Perdemos o rumo. No meio da crise, o senador José Serra aproveita para defender a privatização de parte da Petrobras, mas pode ser toda também, e outro tucano, ex-governador de São Paulo, Alberto Goldman, pede o impeachment da presidente. Mas jura que não é terceiro turno. Somente zelo. Uau!

O que tranquiliza o país é ver Renan Calheiros, Eunício Oliveira, Michel Temer e outros caciques do PMDB na propaganda de televisão cujo mote é “pode confiar”. Confiar nessas caras de vampiro? Não é pedir demais? Eu confio. Sou ingênuo de nascença.

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