Condições de trabalho e saúde

Condições de trabalho e saúde

Condições de trabalho podem afetar a saúde do docente, diz pesquisa

No dia do professor, CNTE divulga pesquisa em que aponta a Secretaria de Educação como o órgão com o maior percentual de servidores públicos afastados

Fonte: O Povo (CE)    15 de outubro de 2015

Uma pesquisa feita em três estados - Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina - e no Distrito Federal (DF) mostra a Secretaria de Educação como o órgão com maior percentual de servidores públicos afastados por doenças no DF e em Santa Catarina. O Distrito Federal lidera o índice - 58% dos profissionais foram afastados por motivo de doença pelo menos uma vez no ano. Em Santa Catarina são 25%. No Rio Grande do Sul, a Educação aparece como a área com o terceiro maior índice de afastamento entre as secretarias do estado, 30%.

A pesquisa foi feita pelo Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração (Consad) entre 2011 e 2012 e divulgada no ano passado.

Outra pesquisa, citada em revista da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) de 2012 - Trabalho Docente na Educação básica no Brasil -, revela que as principais causas de afastamento de Docentes são processos inflamatórios das vias respiratórias (17,4%), depressão, ansiedade, nervosismo, síndrome do pânico (14,3%) e estresse (11,7%). Foram entrevistados 8,9 mil Professores em Minas Gerais, no Espírito Santo, em Goiás, no Paraná, em Santa Catarina, no Rio Grande do Norte e Pará.

"Temos uma categoria que sofre muito de estresse pelo número de Alunos em sala de aula, pelos salários baixos, pelas difíceis condições de trabalho", diz o presidente da CNTE, Roberto Leão, acrescentando que o estresse leva a outras doenças. Segundo ele, é difícil conseguir dados nacionais confiáveis e, geralmente, as doenças não são tratadas nas causas.

Leão cita o excesso de estudantes em sala de aula, a violência nas Escolas, a falta de tempo para planejar aulas e corrigir provas, o que faz com que os profissionais ocupem o tempo livre e os finais de semana com trabalho, como algumas das condições que levam às doenças. "Precisamos que os profissionais estejam bem porque eles vão lidar com adolescentes, jovens, que são o futuro do país", afirma.

Legislação
No Plano Nacional de Educação (PNE), sancionado no ano passado pela presidenta Dilma Rousseff, estão as metas de garantir a formação continuada e pós-graduação aos Professores, equiparar o salário ao dos demais profissionais com a mesma Escolaridade e garantir plano de carreira. O primeiro prazo termina no ano que vem, limite para a definição do plano de carreira.

"O Professor é uma peça-chave na Educação do país e, se quisermos dar prioridade à Educação, precisamos valorizar o Professor em termos de salário, de condições de trabalho, além do reconhecimento social da importância da profissão", diz a coordenadora-geral do movimento Todos Pela Educação, Alejandra Velasco.

Homenagem
Para homenagear os Professores nesta quinta-feira, 15, quando é comemorado o seu dia, o movimento Todos Pela Educação convida os internautas a agradecer aos profissionais nas redes sociais, com a hashtag #obrigadoProfessor.

O slogan da campanha é “Se tem uma lição de casa que o Brasil precisa fazer, é valorizar o bom Professor”. Segundo o movimento, a ideia é estimular que todos reconheçam e valorizem o trabalho desses profissionais no dia a dia e que aproveitem a data para homenagear um ou mais Professores que tenham marcado a trajetória pessoal.

Para que o país ofereça uma Educação de qualidade a todas as crianças e jovens, o Todos Pela Educação definiu cinco atitudes que podem ser tomadas por toda a população para acompanhar de perto a Educação e ajudar no aprendizado.
Valorizar o Professor, profissional central no processo de Ensino, o aprendizado e o conhecimento é a atitude 1 do movimento.

Confira notícia no site original aqui

Sobre professores brasileiros

Indicadores divulgados pelo Inep ampliam panorama sobre a profissão docente no Brasil

Sobre professores brasileiros

João Bittar/MEC     15 de outubro de 2015

Mariana Mandelli, do Todos Pela Educação

No dia 15 de outubro, o Brasil comemora o Dia do Professor. Para homenagear os docentes, preparamos um especial com reportagens, histórias inspiradoras, vídeos, estudos, pesquisas e indicadores. Além disso, nesta página apresentamos informações sobre a categoria ainda pouco conhecidas. São indicadores inéditos, divulgados recentemente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que revelam detalhes da rotina e das condições de trabalho dos professores brasileiros. Com eles, é possível ampliar o panorama do magistério no Brasil. A despeito dos desafios revelados pelos números, hoje é dia de celebrar o mais importante profissional do País. A todos, um excelente Dia do Professor!

Adequação da Formação Docente
O Inep concebeu o indicador de adequação da formação docente para verificar a quantidade de professores com formação inicial compatível com as exigências legais para a(s) etapa(s) de ensino em que atuam (leia a nota técnica do Inep). Os professores foram classificados nos seguintes grupos:

Grupo 1 - Docentes com formação superior em licenciatura (ou bacharelado com complementação pedagógica) na mesma área da disciplina que lecionam.
Grupo 2 - Docentes com formação superior em bacharelado (sem complementação pedagógica) na mesma área da disciplina que lecionam.
Grupo 3 - Docentes com formação superior em licenciatura (ou bacharelado com complementação pedagógica) em área diferente daquela que lecionam.
Grupo 4 - Docentes com formação superior não considerada nas categorias anteriores.
Grupo 5 - Docentes sem formação superior.

Os dados revelam que, na Educação Infantil, rede pública, metade (50%) dos docentes têm licenciatura e 27,6% não têm formação superior. Nas etapas subsequentes, os docentes com formação adequada são sempre maioria, mas há desafios importantes. Nos Anos Iniciais do Fundamental, 59,6% dos professores estão no grupo 1. O percentual de profissionais sem nível superior, porém, é de 23,7%.

Já nos Anos Finais e no Ensino Médio, etapas em que os alunos têm o conteúdo dividido por disciplinas, aumenta a concentração de professores no grupo 3 – aqueles com licenciatura em área diferente da que lecionam (por exemplo, um professor formado em matemática que dá aulas de física e química). Nos anos finais, essa taxa é de 28,7%, enquanto que, no Ensino Médio, cai para 25,2%.

Segundo Marli Eliza de Andre, professora da Pós-Graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e especialista em formação de professores há cerca de 30 anos, se o professor não é formado na área em que atua, isso pode resultar em falta de conhecimento e dos fundamentos do conteúdo a ser ensinado. “Faltará também competência para selecionar o que é essencial e ainda para organizar e traduzir esses conhecimentos em ações didáticas”, diz. “Os alunos terão um ensino de baixa qualidade, consequentemente, já que para ser um bom docente é preciso associar domínio de conteúdo e conhecimento pedagógico.”

Para acessar os dados completos, por tipo de rede, região, estado, município e escola, clique aqui.

Regularidade do Corpo Docente
O índice de regularidade vai de 0 a 5 e mostra a permanência dos docentes nas escolas no período entre 2009 e 2013. Cada professor recebeu uma pontuação que inclui as seguintes variáveis: total de anos que o professor lecionou na unidade de ensino nos últimos 5 anos; atuação do docente na escola em anos mais recentes e atuação em anos consecutivos. Para sistematizar os dados, o Inep dividiu as escolas de acordo com a seguinte classificação de regularidade docente (leia a nota técnica):

Baixa regularidade (IRD médio igual ou menor que 2)
Média-baixa (IRD médio maior que 2 até 3);
Média-alta (IRD médio maior que 3 até 4);
Alta (IRD médio maior que 4 até 5).

Os dados revelam que apenas 10,9% das escolas públicas em todo o Brasil têm alta regularidade docente. As duas categorias médias somam, juntas, a maioria: 75,2%. Já as escolas com baixa regularidade representam 13,9% do total .

“Creio que fixar-se em uma escola tem a grande vantagem de que o professor pode se beneficiar da constituição de um coletivo escolar, coordenado pela equipe gestora, que pode organizar os tempos escolares para a implementação do projeto politico pedagógico, que deverá ser construído, implementado e avaliado pelo conjunto dos educadores”, explica a professora Marli. “Será possível, ainda, beneficiar-se das formações em contexto, voltadas para as questões de sala de aula e daquela escola em particular, o que contribuirá certamente para uma ação profissional de qualidade.”

Anna Helena Altenfelder, gerente de projetos do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação e Ação Comunitária (Cenpec), concorda. “Se a formação do professor não é sólida, ele corre o risco de usar crenças generalizadas na hora de ensinar e cair num cotidiano em que se pauta pelo pragmatismo, com uma prática pouco reflexiva”, pontua.

Esforço Docente
O esforço docente é um indicador que agrega os seguintes dados do Censo Escolar: número de escolas em que o professor leciona; número de turnos de trabalho; números de alunos para quem dá aula e o número de etapas de ensino. Segundo a nota técnica do Inep, o objetivo é medir o esforço despendido pelo docente no seu trabalho. Para isso, foram estabelecidos seis níveis, de forma que, quanto mais alto o nível, maior o esforço do professor.

Nível 1 - Docente que, em geral, tem até 25 alunos e atua em um único turno, escola e etapa.
Nível 2 - Docente que, em geral, tem entre 25 e 150 alunos e atua em um único turno, escola e etapa.
Nível 3 - Docente que, em geral, tem entre 25 e 300 alunos e atua em um ou dois turnos em uma única escola e etapa.
Nível 4 - Docente que, em geral, tem entre 50 e 400 alunos e atua em dois turnos, em uma ou duas escolas e em duas etapas.
Nível 5 - Docente que, em geral, tem mais de 300 alunos e atua nos três turnos, em duas ou três escolas e em duas etapas ou três etapas.
Nível 6 - Docente que, em geral, tem mais de 400 alunos e atua nos três turnos, em duas ou três escolas e em duas etapas ou três etapas.

Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, quando os professores, em sua maioria, são polivalentes, os dados mostram que a maior parte deles, 33,4%, estão no nível 1 – ou seja, estão concentrados em apenas uma turma. As taxas dos níveis 2, 3 e 4 também são altas: 19,6% , 21,1% e 21%, respectivamente. No nível 6, em que o professor despende maior esforço, estão apenas 1,9%, nessa etapa de ensino.

O cenário muda bastante quando observadas as taxas dos Anos Finais. Nessa etapa, somente 6,6% do professores atuam em apenas uma turma de uma única unidade de ensino (nível 1). No nível de maior esforço, estão apenas 5,2% deles. Nos níveis intermediários está a maioria dos docentes, sendo que a maior taxa é a do nível 4, com 39,8%.

No Ensino Médio, assim como nos Anos Finais, a maior parte dos professores está no nível 4, lecionando basicamente em duas escolas para turmas que totalizam de 50 a 400 estudantes: 44,3%. No nível 1, estão apenas 0,8% deles e, no últim nível, 7,7%.

Para a Marli Andre, quando o professor precisa atuar em diversas escolas, o cansaço gerado por esse esforço pode prejudicar o desempenho. “Ele ficará cansado e isso afeta sua ação em sala, pois ficará menos paciente, menos disposto a ouvir. É estressante ter turmas muito grandes e em diferentes níveis, o que vai exigir vários planejamentos e muitas horas para correção de trabalhos”, explica ela, que também é professora titular aposentada pela Universidade de São Paulo (USP). “Além disso, os professores com muitas aulas se ressentem de que não podem participar das reuniões de formação na escola, o que, segundo pesquisas apontam, faz falta.”

O contato com outros docentes e com o coordenador pedagógico, segundo Anna Helena, é fundamental para um bom professor. “Quando o professor participa de um corpo docente estável, ele tem colegas com quem trocar informações, dúvidas e aprendizados e tem acesso a um coordenador qualificado para refletir com ele sobre o que acontece em sala de aula”, afirma.

Ela também lembra que, quando há menos alunos, o vínculo entre o docente e a turma se fortalece, o que pode ser positivo para a aprendizagem. “Os problemas são percebidos na interação com o aluno. Quando o professor conhece bem a realidade desse aluno e do entorno da escola – o seu território –, ele fica mais atento individualmente e ao grupo em aspectos como interesse e motivação e também à própria atuação”, diz.


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