CASO HOPI HARI E A EDUCAÇÃO APÓS AUSCHWITZ

CASO HOPI HARI E A EDUCAÇÃO APÓS AUSCHWITZ

 

CASO HOPI HARI E A EDUCAÇÃO APÓS AUSCHWITZ
Suely Costa

 
 
“Se os homens não fossem indiferentes uns aos outros, Auschwitz não teria sido   possível, os homens não o teriam tolerado. Os homens, sem exceção, sentem-se hoje pouco amados porque todos amam demasiado pouco. A incapacidade de identificação foi, sem dúvida, a condição psicológica mais importante para que pudesse suceder algo como Auschwitz entre homens de certa forma educados e inofensivos.”
Theodor Adorno. Educação e Emancipação



Para Theodor Adorno ( filósofo alemão do pós-guerra ) a exigência que Auschwitz não se repita é a primeira de todas para a educação, precedendo qualquer outra. Sua reflexão sobre que tipo de educação deverá ser dada aos jovens após os horrores do holocausto, passa pelo Tribunal de Nuremberg, lembrando, então, as respostas dos acusados nazistas, de que fizeram o que fizeram, por estarem cumprindo ordens, mesmo sendo o agredido,  seu companheiro, vizinho, ou pessoas de sua relação.



Evidente que esta justificativa não foi aceita por aquele tribunal e as sentenças foram exemplares.



Quer dizer que uma ordem externa, qualquer que seja, suplanta uma autoanálise, um valor  interior? Onde fica o próprio discernimento, a autoreflexão, a autocritica? Isto é, sua própria consciência?



Adorno conclui que se foi o lapso de uma educação que levou jovens a manterem Auschwitz, então esta, não mais serve para o pós-guerra e o futuro da civilização, ou corre-se o  risco de nova repetição. do que já houve.



O empenho exaustivo dos pensadores atuais é para que no Século XXI as pilastras colocadas sob qualquer tipo de educação  sejam as dos Valores Humanos Universais.



Se no caso  do parque Hopi Hari, (de acordo com as atuais declarações dos envolvidos)  os responsáveis por acomodarem as pessoas nos assentos do brinquedo tivessem usado seu próprio discernimento e qualquer um desses  valores pessoais como, respeito, consideração, compaixão, empatia, amor ao próximo,  responsabilidade - uma vida teria sido salva. Esta escolha final seria decisiva.



Justificar essa omissão, pela ordem superior recebida, ou seja, a de continuar usando o assento defeituoso, mesmo depois  que esses mesmos funcionários já haviam notificado a  seus superiores o defeito, claro que caracteriza  uma escolha, uma decisão tomada por eles.



Outros tomaram decisão diferente. Quinze dias antes da queda da adolescente desse brinquedo, vê-se um vídeo, com uma funcionária transferindo  uma senhora a outro assento, retirando-a daquele com defeito.  Estaria ela livre de ordens superiores, ou optou estar sob sua própria ordem?



Claro que há outros responsáveis. Cada um na sua esfera sabia o que poderia acontecer. São todos adultos  e  profissionais.” Só se estabeleça quem tiver competência”  diz o ditado popular.



Quando pensamos seriamente nesse e em outros episódios que demonstram falta  dos Valores Humanos Universais nas atitudes e decisões humanas, logo vem a pergunta: -  “ Qual educação que falhou,  a da família? a da escola?

Qual delas poderia ter feito diferente, para que a escolha do envolvido fosse outra?”


A base sólida dos Programas de Educação para a Paz e em Valores Humanos está exatamente nesse aspecto: fortalecer nos jovens esses Valores que deverão aplicar diariamente em toda sua vida futura, juntamente com as outras habilidades que a escola lhes transmite. Por isso  ela é completa. Atua na totalidade do educando.



De que vale aprender a ganhar dinheiro, a ter sucesso profissional, a ter um excelente desenvolvimento intelectual, se depois de tudo, as decisões tomadas na vida são totalmente anti - éticas, desrespeitosas, desprezando os diretos, os sentimentos  humanos?



Repensar a educação, ou senão, como conclui Adorno: “ Quantos ainda estarão dispostos a seguirem cegamente ordens superiores?  Quantos Auschwitz queremos ter ainda?”



Sugestão para leitura:  ( textos facilmente encontrados na Internet)

 Theodor Adorno: Educação após Auschwitz
Educação e Emancipação


Opinião assinada por Suely Costa, pedagoga, psicanalista e divulgadora de Programas de Educação para a Paz e em Valores Humanos Universais.


SECOM /CPP




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