Avaliação escolar: para quê? Para quem?

Avaliação escolar: para quê? Para quem?

 Escrito por Marcos Pereira dos Santos


Avaliação escolar. Assunto polêmico e complexo. Motivo de preocupação por parte de professores e alunos de todos os níveis e modalidades de ensino.


Apesar de, nos dias atuais, serem realizados intensos debates acerca de o que é, como se faz, por que se faz e quando se faz avaliação escolar, esta temática ainda tem gerado dúvidas e incertezas em muitos profissionais da educação (pedagogos, gestores escolares, orientadores e supervisores educacionais, coordenadores pedagógicos e docentes) acerca de sua principal função no contexto educacional; ocasionando, inclusive, alguns temores em grande parte dos estudantes universitários e da educação básica.

Tanto na escola quanto na universidade, a avaliação escolar, em geral, encontra-se veiculada à realização de testes e provas bimestrais, elaboração e entrega de trabalhos avaliativos, aplicação de recuperações paralelas, apresentação de seminários temáticos, desenvolvimento de pesquisas científicas entre outras atividades similares; visando a um produto/resultado final de caráter apenas burocrático – a nota –, que pode ser expressa diretamente por valores numéricos numa escala de zero a dez pontos (aspecto mensurável/quantificável da avaliação escolar) ou de forma indireta em termos de atribuição de conceitos A, B, C ou D, cada qual apresentando também uma respectiva escala de pontuação (aspecto avaliativo referente ao desenvolvimento de capacidades, habilidades e competências demonstradas pelos alunos em sala de aula).

Embora o caráter quantitativo da avaliação escolar se configure como uma exigência do sistema educacional brasileiro, entende-se que é importante atentar para o fato de que a nota, como atributo numérico-conceitual, não é, em essência, um instrumento representativo da aprendizagem dos educandos na escola, uma vez que o ato de aprender envolve dimensões sociais, éticas, psicológicas, emocionais, metodológicas e didático-pedagógicas que extrapolam o âmbito da sala de aula em sentido amplo. Em outras palavras, isso significa dizer que é condição imprescindível que a avaliação escolar seja compreendida pelos professores e alunos apenas como um meio, e não um fim em si mesma.

Muitos autores de livros de Didática, ao abordarem o tema avaliação escolar, fazem uso corrente da expressão “avaliação da aprendizagem”. Todavia, a utilização dessa nomenclatura parece inapropriada, tendo em vista que as inúmeras formas de avaliações possíveis de serem desenvolvidas na escola desvelam, em linhas gerais, a realidade educacional em termos do que se considera “aprendizagem” por parte dos educandos, a qualidade do ensino, a filosofia de trabalho adotada pela escola, a prática pedagógica dos professores, a política educacional subjacente entre outros fatores. Daí a avaliação escolar ser ainda considerada um “bicho de sete cabeças”.

Mais do que pensar-fazer avaliação escolar em termos numéricos ou conceituais, faz-se importante considerar a possibilidade de efetuar avaliações do tipo quali-quantitativo, valorizando tanto o processo quanto o produto de ensino e de aprendizagem; de forma que a abordagem quantitativa não prevaleça sobre ou esteja totalmente desvinculada da abordagem qualitativa de avaliação escolar, mas que ambas possam, sinergicamente, convergir na complementaridade mútua.

Refletir sobre essas questões é urgente e necessário, haja vista que a avaliação escolar examina não somente aquele que é avaliado, mas também o avaliador propriamente dito e outros elementos que dela fazem parte, como tempos, espaços e contextos escolares. Face ao exposto, resta finalmente indagar: qual é, portanto, a sua avaliação a respeito da avaliação escolar? Avalie avaliando a avaliação. Mãos à obra!

 

Autor: Marcos Pereira dos Santos é doutorando em Educação, linha de pesquisa “Ensino e Aprendizagem”, pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), escritor, poeta, cronista e professor adjunto da Faculdade Sagrada Família (FASF), junto a cursos de graduação (bacharelado/licenciatura) e pós-graduação lato sensu, em Ponta Grossa (PR).

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