Audiência Escolas de Campo

Audiência Escolas de Campo

Comissão discutirá com Secretaria de Educação solução para problemas das escolas de campo


Olga Arnt - MTE 14323 | Agência de Notícias 31/10/2016 - Edição: Celso Bender - MTE 5771 - Foto: Marcelo Bertani

Audiência lotou Plenarinho e outras salas da Casa

A situação das escolas de campo no Rio Grande do Sul foi debatida na tarde desta segunda-feira (31) na Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa. A audiência pública, requerida pelos deputados Adão Villaverde (PT) e Zé Nunes (PT), reuniu centenas de alunos, professores, pais e lideranças políticas de dezenas de municípios gaúchos, que lotaram o Plenarinho, o Espaço Convergência e a sala Salzano Vieira da Cunha. Os representantes da comunidade escolar denunciam o sucateamento das unidades educacionais, o fechamento de bibliotecas e a adoção do sistema de enturmação nos locais em que há poucos estudantes.

A rede estadual de ensino tem 657 escolas de campo, que abrigam 57.544 alunos. Segundo participantes da audiência, a maior parte delas sofre com a redução de pessoal, corte de recursos, problemas em suas instalações físicas e rotatividade de professores e funcionários. “Estamos assistindo ao extermínio do ensino voltado à população rural. A realocação dos estudantes está esvaziando a zona rural e sobrecarregando as escolas urbanas”, resumiu a professora Glória Terra, de Santo Antônio da Patrulha, município que tem 17 escolas de campo de um total de 23.

Para ela, o Poder Público está deixando de lado as escolas do campo, “como se elas não fizessem parte do mesmo sistema educacional, e as crianças que lá estudam não tivessem os mesmos direitos do que aquelas que estudam na cidade”.

O professor José Alfeu Wermann, de Torres, relatou que a comunidade escolar experimenta um sentimento de insegurança em relação ao futuro. “Não sabemos qual o colega que será transferido na próxima semana e nem qual o que terá suas funções esvaziadas por conta de uma política de recursos humanos vertical, construída sem ouvir ninguém”, denunciou.

Já o estudante Léo Richert, também de Santo Antônio da Patrulha, relatou paralisação de projetos, deficiências no processo de enturmação e superlotação das escolas urbanas para as quais os alunos das unidades rurais são realocados.

A presidente do Cpers-Sindicato, Helenir Aguiar Schurer, afirmou que, embora as escolas de campo representem um instrumento para manter os jovens na zona rural, há um processo de desmonte destes espaços e de retirada de direitos dos estudantes, representada, especialmente, pela enturmação.

Política de Estado
O secretário da Educação, Luís Antônio Alcoba de Freitas, afirmou que não há uma política de fechamento de escolas de campo em curso no Rio Grande do Sul. Ele explicou que um comitê, criado durante a administração passada, está encarregado de construir uma política de Estado para o setor. “Orientamos as coordenadorias para que qualquer intervenção nas escolas de campo seja discutida com a comunidade escolar”, ressaltou.

O deputado Zé Nunes (PT) defendeu a necessidade de construir um ambiente para que a zona rural seja uma alternativa para os jovens. “Precisamos manter os jovens no campo, oferecendo nas escolas de lá tudo o que há nas escolas urbanas”, pontuou.

Autor da Lei 14.278/2013, que cria a Política Estadual de Incentivo à Permanência de Jovens e Adultos no Meio Rural através da Qualificação da Oferta Educacional, o deputado Altemir Tortelli (PT) afirmou que é impossível pensar o futuro do meio rural sem fortalecer as escolas de campo. “A educação é fundamental para a compreensão da profissão de agricultor familiar como alavanca para o desenvolvimento da sociedade e do País”, frisou.

Já o deputado Gilmar Sossella (PDT) declarou o apoio de sua bancada para o fortalecimento das escolas do campo e defendeu mais recursos para o transporte escolar.

Encaminhamentos
O deputado Adão Villaverde sugeriu, no final do encontro, a formação de uma comissão, integrada por professores, diretores, pais, estudantes e representantes do Cpers e da Famurs, para discutir diretamente com a Secretaria de Educação os problemas emergenciais relacionados às escolas de campo e para participar da elaboração de um projeto estratégico para o segmento.

http://www2.al.rs.gov.br/noticias/ExibeNoticia/tabid/5374/Default.aspx?IdMateria=307092 

 




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