Aposentadoria ou morte

Aposentadoria ou morte

 

“De acordo com a Pro­cu­ra­doria da Fa­zenda Na­ci­onal (PGFN), menos de 13 mil pes­soas fí­sicas e em­presas devem quase R$ 900 bi­lhões em tri­butos à União. (...).
Grandes de­ve­dores sim­ples­mente cal­culam que é me­lhor deixar de pagar o im­posto e es­perar um par­ce­la­mento es­pe­cial. A dí­vida total é de R$ 1,8 tri­lhão, sendo que 22,3% são dé­bitos pre­vi­den­ciá­rios e 1,3%, do FGTS”.

(C­MARA DOS DE­PU­TADOS, 09/11/2016).

“A Cons­ti­tuição Fe­deral sempre foi in­di­gesta para os donos da ri­queza, daqui e de fora. Foi a pri­meira vez em 500 anos que es­ta­be­le­cemos di­reitos so­ciais, tra­ba­lhistas, edu­ca­ci­o­nais, de saúde, de greve; foi a pri­meira vez que se es­ta­be­leceu se­guro-de­sem­prego, que o tra­ba­lhador rural passou a ter os mesmos di­reitos do tra­ba­lhador ur­bano, em termos de pre­vi­dência, apo­sen­ta­doria e sin­di­ca­li­zação. São muitos di­reitos pra esse ca­pi­ta­lismo. O ca­pi­ta­lismo bra­si­leiro é muito ar­caico, não con­segue con­viver com tudo isso. (...).

Hoje, as isen­ções fis­cais re­pre­sentam 280 bi­lhões de reais. Mais ou menos 20% da re­ceita do go­verno fe­deral. Sig­ni­fica que se abre mão de quase 5% do PIB. Desse di­nheiro, 160 bi­lhões in­cidem sobre as fontes de re­ceita da se­gu­ri­dade so­cial. Está claro? O pro­blema é a Pre­vi­dência?”

(EDU­ARDO FAG­NANI, COR­REIO DA CI­DA­DANIA, 24/03/2017)

As vezes es­co­lhemos ritos
So­nhamos com uma ca­deira
Na va­randa da casa
Do tempo que so­braria
Para olhar a vida
De outra di­mensão real
E ver que os ca­belos brancos
E a pele não mais tão lisa
São som­bras do tempo
Que con­se­guimos viver.

Como pode um ser que
Não tenha ou­tras ri­quezas
Apenas a sua força de tra­balho
Num golpe de vida no tempo
Não poder so­bre­viver
Pelo menos um pouco da vida
Sem poder nada fazer
Ou fazer o que a vida lhe pede
Ficar se­re­na­mente olhando
Para ela como se fosse ontem
Do tempo que já se foi
No tempo que pouco so­brou?...

Agora tudo vai mudar
Querem mudar tudo
Dizem que tra­ba­lhamos pouco
Pa­gamos pouco para se apo­sentar
Vi­vemos muito e mais vi­ve­remos
Então por que que­remos ficar
Na vida atra­pa­lhando
Os que querem viver
Se po­demos mortos ou
Sem se apo­sentar
Viver o in­ferno aqui mesmo?...

Já que há se­nhores:
Os que dizem que a vida
É para os poucos la­caios
E nós todos atra­pa­lhamos
Seus pa­raísos e ca­na­lhices
Es­col­tados pelo poder po­lí­tico
A ri­queza e o di­nheiro zombam da vida?...

Um lugar certo gol­peado
No rumo in­di­gesto fel suor
Sem vida e sem gesto
Sem cor nem lin­guagem
Sem sím­bolos ou sons
Ator­doado o tra­ba­lhador
Terá seu pre­sente
E fu­turo ne­gados
Ou as duas coisas numa só
Apo­sentar para morrer rá­pido
Ou morrer para não se apo­sentar
Este é o le­gado per­verso
Que a todos os tra­ba­lha­dores
Vocês querem deixar
Se­nhores par­la­men­tares?!...

Quem são os se­nhores
Para poder de­cidir pelo povo
Im­pondo uma es­colha única:
Viver muito e se apo­sentar para morrer
Ou morrer antes e não se apo­sentar
E não saber o que é viver apo­sen­tado?...
Qual ética tem a moral de negar a vida?...
A ética da moral do ca­pital e dos di­nheiros
Que já con­some suas cons­ci­ên­cias
Tor­nando-os car­rascos da vida e da dig­ni­dade?...

Os po­deres re­pu­bli­canos por que são assim
Con­du­zidos numa moral sem ética?...
Os po­deres re­pu­bli­canos
Na sua ética da moral re­pre­sen­ta­tiva
O exe­cu­tivo, o le­gis­la­tivo e o ju­di­ciário
Servem para pre­servar a vida?...

O povo e os tra­ba­lha­dores seres vivos
Os po­deres re­pu­bli­canos lhes tratam
Como seres so­ciais e dignos de tra­ta­mento
Ou lhes dão tra­ta­mento que se as­se­melha a car­ni­fi­cina
Dos aba­te­douros quando olham para o povo
Pois para o povo qual­quer em­ba­lagem (caixão) serve
Quando as forças da­quele que sofre
Para tra­ba­lhar, pro­duzir lu­cros e viver
Vão es­vaindo no tempo?...

Como a his­tória não acabou
Quem sabe cedo ou tarde
O povo possa numa questão
De es­colha não es­co­lher mais essa gente
Para cuidar da vida da gente
Porque já pôde aprender que eles
Nunca cui­daram dela mesmo!

 

http://correiocidadania.com.br/2-uncategorised/12445-aposentadoria-ou-morte




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