A supremacia da violência

A supremacia da violência

Brasil: a supremacia da violência

Maria Luiza Khaled

 

Escolas do ensino fundamental e médio mostra que o Brasil lidera o ranking de violência contra professores. Segundo a pesquisa, 12,5% dos professores declararam que são agredidos verbalmente ou intimidados pelo menos uma vez por semana. As conclusões são contundentes, porém não é de espantar a realidade evidenciada pelo levantamento. Sabe-se perfeitamente que a violência está a predominar em nossas escolas – um reflexo da violência social – por meio da mídia que repercute os casos mais sérios, ou porque constatamos, por experiência, que agressões verbais, ausência de disciplina, hostilidade e falta de respeito entre alunos e contra professores são prática cotidiana no ambiente escolar.


No caso do Brasil, detentor do índice mais alto de violência, o dado ajuda a explicar um dos motivos pelos quais a educação vai tão mal entre nós. É que o estudo demonstra haver uma relação inversamente proporcional entre nível de aprendizado e índices de violência contra o professor. Tanto é assim que os países que encabeçam o ranking da qualidade de ensino, como a China e a Coreia do Sul, ocupam as últimas posições nessa lista. Ou seja, há uma ligação importante entre indisciplina e insucesso escolar.

Ora, é evidente que se o professor precisa ocupar parte de seu tempo nas aulas para cuidar de disciplina e conflitos envolvendo alunos – com a agravante de que, muitas vezes, é ameaçado – sobra pouco tempo e energia para se dedicar às práticas pedagógicas. Some-se a isso o fato de que, no Brasil de hoje, os professores são pouco valorizados.


Para além da questão da violência, urge a melhoria da qualidade de ensino, já que os resultados das provas realizadas pelos sistemas de avaliação nacionais e internacionais, como Ideb e Pisa, entre outros, revelam que o desempenho dos alunos brasileiros está abaixo do ideal. Assim, é necessário aumento de investimentos em educação, de um lado — o nosso é o segundo mais baixo entre os países da OCDE — e, de outro, práticas de sala de aula comprovadamente eficazes.


Diante desse cenário, o combate à violência, um valor em si, é uma questão essencial para o sistema educacional. Ao mesmo tempo, o trabalho do educador deve ser valorizado tanto pela sociedade quanto por políticas governamentais. Em suma, é preciso fornecer ao professor apoio efetivo e condições adequadas para que ele possa cumprir o seu papel e enfrentar o desafio de de melhorar o nível de aprendizado dos alunos.

 

Correio do Povo 07-010-2014 pg 02




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