A régua da Educação

A régua da Educação

"É lamentável que, após a universalização do Ensino Fundamental, assegurada pela Constituição de 1988, o Brasil pouco tenha melhorado nessa área, apesar das referências exitosas de outros países', afirma jornal

Fonte: Zero Hora (RS)     13 de fevereiro de 2015

 

O Brasil terá de apressar o passo se pretende transformar-se na pátria educadora, assim definida em compromisso assumido pela presidente Dilma Rousseff. Por enquanto, a realidade é de uma nação em que o ensino formal apresenta alguns dos piores indicadores mundiais, apesar dos avanços que o país teve em outras áreas.

Nesta semana, mais um levantamento divulgado pelo movimento Todos pela Educação confirmou a distância entre intenções, invariavelmente retóricas, e a situação desoladora do ensino. Esse é o cenário: nove em cada 10 municípios não atingiram o percentual mínimo de alunos com desempenho adequado em matemática no 9º ano do ensino fundamental.

Em português, a situação também é ruim: apenas três de cada 10 municípios alcançam a meta desejada. Esses números deixam o ensino nacional distante da previsão estabelecida para 2022, bicentenário da Independência, de que pelo menos 70% dos alunos tenham aprendizado adequado para suas idades.

A régua da educação precisa subir, para que governo, pais, professores e estudantes reajam ao atraso. O mais impressionante é que, ao invés de reverter o quadro e avançar, o ensino brasileiro retrocede. Desde 2011, verifica-se queda no percentual dos municípios que conseguem cumprir as metas intermediárias em ambas as disciplinas. Tanto que, em 2009, 83,7% dos municípios cumpriram a meta para o ano em português, no fim do Ensino Fundamental, e 42,7% em matemática.

O estudo mostra um descompasso entre algum avanço nas séries iniciais e o retrocesso nos anos finais de aprendizado. É assim que o país vem desperdiçando a chance de fazer com que conquistas econômicas e sociais andem ao lado de melhorias na educação. A perda maior está no desperdício de oportunidades, de possibilidades de crescimento pessoal, de ganhos com a maior qualificação dos estudantes que chegam à universidade e de autoestima de famílias, de mestres e de toda a sociedade.

É lamentável que, após a universalização do Ensino Fundamental, assegurada pela Constituição de 1988, o Brasil pouco tenha melhorado nessa área, apesar das referências exitosas de outros países. Será preciso bem mais do que a frase repetida na posse da presidente, em nome de compromissos com a educação, para que o direito de aprender se traduza em acesso a uma escola de qualidade, decisiva para a formação não só de profissionais, mas de cidadãos na sua integralidade.

Confira o editorial no site original aqui 




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