A janela demográfica brasileira

A janela demográfica brasileira

por Igor Moreira*


A maioria das pessoas desconhece que estamos no limiar de um fenômeno singular e de suma importância para os brasileiros, especialmente para o futuro da nação. Estamos nos referindo à janela demográfica que o Brasil já começou a dispor. Mas o que é isso e por que é importante?


Trata-se de um lapso de tempo em que a parcela da população dependente, formada por crianças/adolescentes e idosos, torna-se numericamente bem inferior ao segmento da população em idade adulta, em condições de exercer atividade econômica. É um período em que diminui substancialmente o ônus da dependência pesando sobre os ombros dos que sustentam a sociedade. Por isso, esse período também é chamado de bônus demográfico ou janela de oportunidade.

Tecnicamente, a janela demográfica começa quando a percentagem de população em idade ativa (PIA), de 15 a 64 anos, supera a chamada razão de dependência (RD), que é obtida pela soma de crianças/adolescentes e idosos dividida pela população em idade ativa (PIA). Para que se tenha uma ideia, em meados dos anos 1960, a RD no país era de 90, o que significa que cada grupo de cem pessoas em idade ativa tinha que sustentar 90 dependentes.

A janela demográfica brasileira teve início em 1995 e haverá de se fechar por volta de 2055. Atualmente, a RD é de 50 e continua em leve queda, chegando próximo a 40 entre 2020 e 2025, quando ocorrerá o máximo de abertura.

Portanto, nosso país está diante de uma chance de avançar para o rol dos países ricos. Os europeus aproveitaram muito bem o bônus demográfico que tiveram ainda no século 19, de maneira que o envelhecimento da população aconteceu após o enriquecimento da nação.

Para usar o bônus de que dispõe, o Brasil precisa investir basicamente em dois eixos fundamentais: educação dos jovens e qualificação da população em idade adulta, que constitui a força de trabalho do país. Nessas áreas, diversas ações têm sido empreendidas e alguns bons resultados já foram obtidos. Mas ainda há muito por fazer, como a melhoria da qualidade do ensino e, muito especialmente, da assistência à saúde pública, cujas carências têm sido persistentes.

O envelhecimento da população tem agravado um problema crucial da sociedade brasileira, tanto civil quanto estatal, que radica na questão previdenciária. Por mais forte que seja a reação corporativista, não há como evitar o que já era para ter sido feito: o aumento da idade de aposentadoria e do tempo de contribuição previdenciária, tanto privada quanto pública.

Se o Brasil desperdiçar a oportunidade de que ora dispõe, certamente colherá as mazelas de possuir uma população envelhecida sem que a nação tenha enriquecido.

*Geógrafo

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