A educação na agenda dos prefeitos

A educação na agenda dos prefeitos

 

A educação na agenda dos prefeitos
Ricardo Russowsky

 

 

O ano que se inicia, para a educação, chega cheio de novidades. Uma delas traz a força da lei e entra com firmeza nas agendas dos novos prefeitos que recém assumiram: eles vão ter que criar 14 milhões de vagas para crianças de quatro a cinco anos. Trata-se da universalização da pré-escola, o que, para nossas crianças, é uma grande notícia. Os pequenos brasileiros se transformaram em protagonistas de um capítulo virtuoso da história da educação, pois tornam-se missão de gestores municipais hoje responsáveis por quase 75% das matrículas da pré-escola, que terão prazo para cumprir a lei até 2016.

Não é essencial dar valor a este investimento diante do potencial retorno que ele sugere. Ainda que a proposta carregue consigo toda a infraestrutura necessária, como construção de prédios e treinamento de professores, por exemplo. Mas não tenho dúvida de que o investimento vale cada centavo com retornos futuros grandiosos para o país.

A educação é crucial para o avanço de uma nação. Quanto mais cedo uma criança for educada, melhor. Quem recebeu atenção na educação infantil, apontam as estatísticas, multiplica o efeito da educação, mostra melhor desempenho ao longo da jornada acadêmica e no comportamento social e baixa tendência à criminalidade. Sem falar no retorno do investimento, porque tentar ensinar anos depois o que deve ter sido aprendido na infância certamente custará muito mais caro.

É preciso deixar claro também que não basta apenas criar vagas. A missão dos prefeitos é ainda maior e ganha amplitude fantástica porque é preciso planejar um ensino de qualidade tal qual o dos países que já iniciaram este processo, como o Canadá e a Finlândia, que investem com professores dessa faixa etária mais do que com os demais.

Educação é um assunto que toca a todos nós desde sempre, mas neste início de ano vamos apostar no futuro. Sempre é tempo de renovar os votos de que o círculo virtuoso deste processo é imensurável para o cidadão e para a economia. Temos uma das menores médias de anos de escolaridade entre os países emergentes. Apenas 7,2 anos, enquanto nossos vizinhos argentinos chegam a 9,3 anos e os americanos a12,4 anos. Nossas posições nos rankings mundiais são pífias e os investimentos em educação nos Estados mostram que o Rio Grande do Sul foi o que menos investiu com recursos próprios.

Sabemos onde terminam estes dados. Menor produtividade, menos inovação, mais criminalidade e um país com fracos pilares de desenvolvimento. Aproveitando a legislação e programas de planejamento dos novos prefeitos que precisarão ser cumpridos com a universalização da pré-escola, proponho uma reflexão: vamos pensar em como participar deste processo e contribuir para o seu cumprimento.

A Federasul, através da parceria com o Tribunal de Contas do Estado, têm instrumentos relevantes para acompanhar este tema em todos os municípios. Suas filiadas, as Associações Comerciais, Industriais e de Serviços, desde o ano passado, estão recebendo treinamento específico para fiscalizar as contas e os projetos públicos. Nosso país agradece e todos agradecemos também.

*Presidente da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul)

 




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