A Educação e os pontos de vista

A Educação e os pontos de vista

"Sem entender que somos todos responsáveis pela Educação, o caminho não será percorrido", afirma Ronald Krummenauer

Fonte: Zero Hora (RS)

O Brasil revolucionou o acesso à Educação nos últimos 50 anos. Nossos pais ou avós não encontravam Escolas para estudar, e hoje, em quase todo o país, as vagas estão disponíveis e isso é muito bom. Mas, infelizmente, por enquanto, a revolução parou aí.

Na mais recente avaliação do Pisa – Programa Internacional de Avaliação de Estudantes –, o Brasil ficou em 58º em matemática, 55º em leitura e em 59º em ciências. Muito pouco para um país que vem quantitativamente abrindo vagas há mais de 50 anos. Como os números demonstram nesta e em outras avaliações, qualitativamente ainda temos um longo caminho a percorrer.

O Pisa é realizado em 65 países. É uma iniciativa internacional de avaliação comparada, aplicada a estudantes na faixa dos 15 anos, idade em que se pressupõe o término da Escolaridade básica obrigatória na maioria dos países. Esse indicador mostra como estamos. E não estamos bem.

Olhando para os responsáveis por essa Educação, ou seja todos, quais são os pontos de vista? Dos pais, a satisfação de ter uma Escola disponível para os filhos já é um grande alívio. Dos governos, a escassez dos orçamentos. Como pagar bem Professores e ainda manter as Escolas em boas condições de infraestrutura? Dos Professores, a eterna luta por melhores salários. E os Alunos? Como ter interesse em aulas com Professores com baixa autoestima, familiares que não acompanham as tarefas de casa, Escolas com problemas de gestão. E mais, quais são os objetivos em comum? Como vamos evoluir como sociedade se os diferentes pontos de vista não se encontram?

Se acreditarmos que só temos direitos e pouco ou nada de deveres e responsabilidades na sociedade, não sairemos dessas armadilhas.

Como encontrar o equilíbrio? Certamente com muitas tarefas de governos como garantia de acesso e permanência dos Alunos nas Escolas, avaliação da aprendizagem dos Professores, valorização do magistério e, principalmente, uma gestão eficiente dos recursos públicos. Os Professores podem reivindicar salários, mas também devem exigir e colaborar para uma maior qualificação do nosso Ensino.

E nós, como sociedade, não podemos continuar acreditando que basta ter o prédio da Escola, que o aprendizado se dará naturalmente.

Sem entender que somos todos responsáveis pela Educação, o caminho não será percorrido. Pais, Professores, Alunos, governo e sociedade devem se unir por essa causa.

*DIRETOR-EXECUTIVO DA POLO RS – AGÊNCIA DE DESENVOLVIMENTO E DA AGENDA 2020




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