Todos pela educação

Todos pela educação

“Todos pela educação”
Neivo Zago



“Educação é o que resta depois de se ter esquecido tudo o que se aprendeu na escola” (Albert Einstein)


Talvez “nunca antes na história deste país” se questionou tanto sobre educação. Esta tem sido o foco das atenções de muitos segmentos da sociedade. E, quando se fala em educação logo vem à mente a palavra escola - um alvo constante de críticas. Há os que apresentam soluções de mudanças plausíveis na teoria, mas que na prática não acontecem. Os meios de comunicação em todas as suas modalidades reservam espaços para cobrir assuntos escolares e não apenas os expertos da área educacional, como também outros leigos na área ousam opinar sobre a escola - organização que, apesar dos avanços tecnológicos e das tecnologias de ensino - ainda é tida como importante e indispensável. Por estas e outras razões se convencionou criar um movimento chamado “todos pela educação” uma iniciativa a mais de esforços para melhorar a qualidade.



Parece que, uma das medidas dentre tantas, para mudar o status quo da educação seria o resgate da valorização do professor, uma verdade saudosa de tempos passados. Como parte da campanha o MEC há tempo está veiculando uma mensagem televisiva mostrando a importância da figura do professor. Diz um excerto do texto que todas as profissões, desde “uma nota de uma partitura até uma planta na arquitetura”, todas passam as áreas do conhecimento passam pelo professor. Por sua vez, é um contra-senso e não menos estarrecedor saber que a uma professora recém nomeada foi-lhe incumbido dar aulas para dezoito turmas com quatro matérias diferentes. Que o diga a Manu incipiente nessa difícil empreitada. Infelizmente ela não é exceção. Tem muitos docentes fadados ao suplício de percorrer a mesma senda. É um absurdo! Um acinte! Um despropósito! Uma desumanidade! Como é possível fazer um bom trabalho? E o salário? Todos são sabedores. Uma mixórdia! Assim sendo, pode o MEC ou afins, fazerem a melhor das propagandas, o mais belo dos comercias contendo as mais convincentes palavras e as mais nobres intenções, pouco ou nenhum efeito fará.



Ademais, de modo geral os pais querem uma boa escola e bons professores para seus filhos, mas poucos gostariam que seus filhos fossem professores. Por sua vez, parece que nem todos estão realmente imbuídos em melhorar a escola (educação) de fato. Um exemplo bastante evidente foi dado pelo atual governador quando então ministro da educação. Na ocasião, ele assinou a lei que obrigava os estados a pagarem o piso básico aos professores. Mas, quando eleito governador mudou o seu discurso e a sua atitude também.



Reiterando, o objetivo “todos pela escola” não é nada mais do que uma tentativa de chamar a atenção para o problema crucial que vive a educação, de alertar mais pessoas, que a solução (além de administrativa) parece depender de responsabilidades compartilhadas a começar pela família; perpassa a sociedade que precisa também dar o seu quinhão, mormente a mídia porque tem um papel preponderante: quanto tempo as pessoas perdem em frente à tela assistindo exibições de baixa qualidade, que nada somam, mas que tomam tempo de adultos e de estudantes, um desperdício que bem poderia ser evitado e substituído por uma boa leitura, ou em momentos de estudos adicionais.


A iniciativa “todos pela escola” infelizmente tem tudo a ser apenas uma a mais dentre tantas outras campanhas fracassadas, que não lograram e nem lograrão êxito. Para funcionar de fato é preciso uma mudança de atitude radical de todos os envolvidos no processo e, acima de tudo valorizar o professor como quer pretender o texto da campanha acima referida.

 

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