O exemplo veio do Paraná

O exemplo veio do Paraná

Em fevereiro, o exemplo veio do Paraná

Por Fernanda Melchionna


Recém passada as campanhas eleitorais milionárias e demagógicas, os ataques aos trabalhadores são a tônica dos governos. Durante a campanha eleitoral, Dilma dizia que Aécio aumentaria a energia e a gasolina e que governaria para os bancos. Exatamente o que o PT tem feito nestes menos de dois meses de governo. A única bandeira vermelha que estamos vendo é a da conta da luz, com um aumento exorbitante de 67% que deve ser agravado com o aumento das distribuidoras. No Rio Grande do Sul, o Governo Sartori já anunciou mais um aumento nas contas entre 37 a 66%. Somado com aumento dos alimentos e da gasolina, fica evidente o arrocho do povo.

Da mesma maneira, Beto Richa, governador do Paraná (PSDB), enviou um pacote de retirada de direitos para a Assembleia. Tema, obviamente, nunca falado na campanha eleitoral. O “pacotaço da austeridade” previa saque de 8 bilhões do fundo de previdência dos servidores públicos, ataque à progressão funcional, retirada de vale alimentação em casos de licença médica e o absurdo de transformar o aumento quinquenal em um reajuste de pífios 0,5% a cada trinta anos. Sim, inacreditáveis 30 anos!!!!

Assim, uma forte greve foi iniciada no dia 07 de fevereiro pelos professores e se estendeu às demais categoria: servidores da saúde, agentes penitenciários, trabalhadores das universidades estaduais e servidores da APAE. Milhares de pessoas ocuparam a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) onde o governo tentava aprovar seu pacote de maldades em regime de urgência. Até dentro de camburão deputados da base aliada do governo entraram na Alep para fugir do povo. Mas a força da mobilização impôs uma derrota brutal ao governo, que teve de retirar os projetos.

Segundo o companheiro do PSOL-PR, Bernardo Pilotto*, a categoria segue em luta e muito fortalecida diante da estrondosa vitória. Além de um alento aos trabalhadores paranaenses, a vitória no Estado fortalece a luta de resistência que deverá ser travada em todo o país contra os ajustes e a austeridade.

Sartori havia prometido seu pacote para o Rio Grande do Sul depois do Carnaval. Já se sabe que o conjunto de ações serão no sentido de precarizar ainda mais a vida do povo. Péssimos exemplos não faltam, como atraso de repasses à saúde, desmonte das políticas para as mulheres, congelamento do chamamento dos concursados na segurança e o descaso diante da falta de dez mil professores para o início do ano letivo. Falam em austeridade, mas é só para o povo. Afinal, os luxos e privilégios dos ricos e dos políticos da ordem se mantêm. O aumento indecente dos salários dos deputados estaduais, o uso da locação de helicópteros para churrasco e a criação de um cargo para “acomodar” a primeira dama soam como um deboche..

Foram certamente dias intensos de luta e conquistas no Paraná, que contagiam e dão exemplo. Nossos grandes desafios em 2015 serão derrotar nas ruas os ajustes e mostrar, na prática, que uma verdadeira democracia pressupõe a união da maioria empobrecida e trabalhadora contra a minoria da elite econômica acostumada com o apoio dos palácios. Lutemos para que sigam o exemplo do governo das esquerdas encabeçado por Tzipras na Grécia. Começaram o governo cortando privilégios: a última foi o anúncio do leilão dos carros de luxos governamentais para financiar os programas sociais. Afinal, já basta de repassar para o povo a conta dos lucros das elites e os privilégios dos ricos e políticos.

Juntos podemos mudar!

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* Texto de Bernardo Pilotto. “Essa vitória é apenas o começo”. http://esquerdasocialista.com.br/essa-vitoria-e-apenas-o-comeco/.

Fernanda Melchionna é vereadora do PSOL em Porto Alegre e integrante da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal

http://www.sul21.com.br/jornal/em-fevereiro-o-exemplo-veio-do-parana/




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