Novo cenário brasileiro

Novo cenário brasileiro

 

Luciana Genro fala sobre novo cenário brasileiro

Fragmentação da esquerda pode levar ao fortalecimento da direita, aponta ex-candidata presidencial pelo PSOL — que simpatiza com experimentos inovadores, como Podemos

Um vídeo do Coletivo Candeia

É preciso construir uma oposição de esquerda ao governo do PT, caso contrário a oposição de direita vai se fortalecer. Essa é a grande disputa a nos desafiar no próximo período, na visão da advogada e ex-candidata à presidência da República Luciana Genro (PSOL-RS), “porque a oposição vai crescer, com certeza”. Com uma pauta a favor das demandas populares, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) foi um dos poucos do campo da esquerda que puderam comemorar o resultado destas eleições, ao ampliar as bancadas estaduais e federal.

Para Luciana Genro, a quem mais de um milhão e meio de brasileiros confiaram seu voto no primeiro turno das eleições – o dobro do que o PSOL recebeu em 2010 –, as Jornadas de Junho expressaram-se, sim, na campanha presidencial. “Junho mostrou que o PT já não tem o controle dos movimentos sociais. Houve principalmente um movimento espontâneo da juventude, e essa espontaneidade tem sua força e sua debilidade, pois as vitórias foram muito aquém das possibilidades daquele movimento magnífico.”

Ao fazer um paralelo com o surgimento do Podemos na Espanha, contudo, ela aposta na esperança. Lembra que nas eleições que se seguiram às manifestações dos Indignados, em 2011, quem sucedeu a social democracia – “o correspondente ao PT aqui” – foi a direita. “Em protesto contra o governo, as pessoas votaram na direita. Isso também ocorreu no Brasil, muitos dos votos no Aécio foram de protesto contra o governo e o PT.” Mas, dois anos após aquela eleição, o inovador Podemos, um movimento-partido, surge como favorito dos eleitores espanhois, nas sondagens de opinião pública, e pode vir a ganhar a prefeitura de Madri e as eleições nacionais. “Isso demonstra que processos de luta como os Indignados na Espanha e Junho no Brasil não têm uma expressão tão imediata no processo eleitoral, mas deixam sementes que vão brotando. Esse é o trabalho que temos de fazer agora – irrigar essas sementes para que elas brotem.”

Luciana fala sobre a fragmentação da esquerda, o que torna ainda mais difícil lutar contra o poder das elites, com a mídia empresarial a afirmar, diuturnamente, não haver alternativa além do PT e do PSDB; ou outra possibilidade de política econômica além de fazer superavit primário para pagar os juros da dívida, como se fosse natural contrariar os interesses do povo para arrumar a economia. “Só poderia governar fazendo as transformações que o PSOL defende com uma participação popular muito ampliada. Porque as forças reacionárias, o poder econômico iriam tentar impedir a realização das mudanças que a gente defende.”

Confira aqui qual a visão da candidata que ganhou o respeito de amplas camadas da juventude urbana sobre os desafios do PSOL e do campo da esquerda no cenário pós-eleitoral.

http://outraspalavras.net/blog/2014/12/18/luciana-genro-fala-sobre-novo-cenario-brasileiro/




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