De Quimera ao Caos

De Quimera ao Caos

Estado Ditatorial e a Educação Pública: de Quimera ao Caos

Wolmer Ricardo Tavares* - Revista Gestão Universitária - 21/05/2014 - Belo Horizonte, MG

Um dos pensadores mais críticos que já tivemos na história foi Nietzsche e este sempre questionou a esperança, dizendo que era a maior dos males para o ser humano. Realmente a esperança passa a ser um mal quando depende da política e da educação, isso porque mesmo estando em um país democrático, somos o tempo todo governados por um Estado ditador, como aconteceu recentemente com a Lei Complementar 100, e que terá como contrapartida, a demissão de mais de 71 mil funcionários públicos. Essa lei foi criada de maneira absolutista, arbitrária e imediatista por um governo que nunca visou uma educação de qualidade, e sim em fazer uso das vantagens desta lei, que o projetou para uma carreira política ainda com mais status.

Essa lei utilizou-se de um poder político e não abriu mão de sua inclusividade, ou seja, interviu de forma imperativa, fazendo-se valer de sua força esmagadora e inibidora.

Estes políticos absolutistas encontram como cúmplice e mediadora a mídia. Ela se encarrega de alienar ainda mais essa massa amorfa, que é vista apenas como um gado de manobra, um povo néscio, que se contenta com qualquer mesquinharia. Com isso entra então a esperança em se mudar o governo, os planos, etc... mas o povo mesmo não quer mudança, não quer mudar.

Estes mesmos governos continuam a manipular os interesses públicos e vêm com outros planos para um futuro melhor para seus “cidadãos” que não conseguem sair da inércia ou desta letargia em que se encontram, e a Educação Integral passa a ser o carro chefe de sua demagogia, iludindo mais uma vez o povo, que sequer sabe de uma máxima citada por um ícone da Educação que foi Paulo Freire ao afirmar que “seria uma atitude muito ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvesse uma forma de educação que permitisse às classes dominadas perceberem as injustiças sociais de forma crítica”, e aí está o obvio.

Hoje temos a Educação Integral que de acordo com o novo Plano Nacional de Educação enviado ao congresso para discussão e aprovação com metas para a educação nos próximos 10 anos, vislumbra que até 2020, a metade de nossas escolas esteja funcionando em tempo integral. Mas cabe aqui ressaltarmos que não é apenas deixar a criança o dia todo em uma escola como tem acontecido em várias instituições que se dizem ser tempo integral.

Uma escola de tempo integral contempla nada mais nada menos que o desenvolvimento social, emocional, afetivo, físico e cognitivo, mediante rotinas planejadas e dinâmicas possibilitando lazer, descanso, socialização, atividades lúdicas, responsabilidade, respeito, compromisso e desenvolvimento da autonomia. Nestas escolas serão trabalhados itens como oficinas criativas como teatro, artes plásticas, música, expressão corporal, atividades lúdicas e de socialização com parque, brinquedoteca, jogos, brincadeiras, atividades dirigidas, informática para jogos didáticos, pesquisa e criação, a biblioteca se encarregará da hora do conto, fantoches, dedoches, videos também serão trabalhados cuidados com o corpo como descanso, alimentação e higiene. Esta escola oferecerá também o acompanhamento nos deveres de casa e estudo supervisionado. Ou seja, é uma educação perfeita. A paideia tão almejada pelos gregos acontecendo justamente em nosso país, neste gigante adormecido, nesta terra onde a corrupção é sinônimo de esperteza e a injustiça e iniquidade imperam.

Muito lindo o que se almeja, e aí entra mais uma vez a esperança. Palavra esta que faz apenas o povo esperar, esperar e esperar. Hoje as escolas de tempo integral tem funcionado como depósito de crianças que lá ficam sem os afazeres acima. Justificando apenas uma maneira de se conseguir mais verba do Estado para as mesmas e na maioria das vezes, verba essa recebida e utilizada em outros meios ou fins próprios.

Não iremos melhorar o índice da educação aumentando o tempo de presença de nossos educandos nas escolas, será com a valorização dos profissionais envolvidos, com investimentos no ensino público fundamental e com a extirpação dos políticos corruptos, corruptores e dessa escória de pseudo educadores que apoiam esta manipulação.

Com ou sem tempo integral estamos criando uma seara de educandos estéreis que perdurará por gerações mantendo este câncer de corruptores e corruptos enraizados em nossa sociedade. Percamos as esperanças, saiamos da inércia e vamos a luta para que as mudanças aconteçam primeiramente em nós mesmos.

Como disse Darcy Ribeiro “a crise da educação não é uma crise, é um projeto.”, então por isso encontramo-nos neste caos, é um projeto funcionando em plena harmonia e efetivação.

*Wolmer Ricardo Tavares é mestre em Educação e Sociedade. Atua como professor universitário, palestrante e escritor. Para mais informações acesse www.wolmer.pro.br




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