A educação e a eleição

A educação e a eleição

Rogério Mendelski

 

O Brasil se coloca entre os primeiros países do planeta de quatro em quatro anos quando os candidatos a governador e a presidente da República pedem votos prometendo aplicar bilhões de reais em educação. Até um alienígena se espantaria com tantas promessas e tantos discursos direcionados para projetos educacionais. “Epa! É neste pedaço da Terra que eu quero viver com meus filhos”, diria o homenzinho verde que desembarcou de um óvni e acabou de ver um programa eleitoral na televisão.

Mas nós terráqueos sabemos que a realidade está tão distante das promessas quanto a Terra da galáxia do visitante. A escola brasileira dos dias atuais parece ter se rendido ao mesmo clima vigente em outras instituições nacionais onde alguns valores sucumbiram diante da indolência, da corrupção, da quebra de hierarquia e do respeito às leis.

Como poderemos exigir ensino qualificado e a preparação de novas gerações se sequer temos em nossas escolas normas de conduta que precisam ser respeitadas, antes das primeiras lições pedagógicas?

O Brasil hoje é considerado como um país que tem o maior índice de violência no âmbito escolar e, como disse o senador e educador Cristovam Buarque (PDT-DF), “o futuro de uma nação tem a cara de sua escola no presente”.

O professor deixou de ser uma referência para alunos que não encontram no seu mestre um modelo a ser seguido. E como exigir do professor dedicação e amor à tarefa de ensinar e educar se a sua atividade é desprestigiada por quem deveria valorizá-la? Vêm daí as greves e com elas a degradação do ensino, pois com o ausência das aulas, os alunos percebem que o governo e a própria sociedade não dão a importância devida à educação.

Quem acompanha os programas eleitorais e se interessa com a educação chega a acreditar que agora teremos políticos preocupados com o futuro de nosso país. É a temporada de caça ao voto dos professores com as mesmas promessas de quatro anos antes. O mais triste e lamentável é que temos os recursos mínimos necessários para investir em salários, prédios e equipamentos, mas por que levar adiante o que pode ser feito em curto prazo se daqui a quatro anos teremos novas eleições?

Educação só rima com eleição quando o voto se torna necessário.

Dos leitores (1)

“Com relação à coluna publicada no Correio do Povo (11/9), intitulada ‘Pedagogia equivocada’, posso lhe afirmar que o assunto não encerrou, está mais candente do que nunca intramuros nos estabelecimentos de ensino, desde que o Conselho Estadual de Educação apresentou uma proposta de Parecer que em nada contribui para a afirmação de uma cultura de garantia do direito à educação escolar da criança ou do adolescente, uma vez que a solução mágica do ‘é proibido proibir’ apenas fragiliza e aumenta a falta de legitimidade da escola pública e privada em tomar providências quando esgotadas todas as alternativas de solução o comportamento de um aluno, ou de um grupo de alunos, prejudica o ambiente escolar de todos os demais.”
(Raul Gomes de Oliveira Filho, ex-presidente da Federação das Associações e Círculos de Pais e Mestres do RS)


Dos leitores (2)
“Meus cumprimentos pelo oportuno retorno, de forma objetiva em tua coluna, sobre o projeto do CEEd para acabar com a hierarquia nas escolas públicas e privadas. De volta a Porto Alegre, vou tentar contatar o deputado Carlos Gomes a fim de provocá-lo de apresentação de um projeto mudando a atual constituição do CEEd por considerar oportuno o momento para tal fim. Em outra ocasião penso que seria difícil a sua aprovação.”
(Hipérides Ferreira de Mello, professor aposentado) Colégio Farroupilha


O leitor Alexandre Magalhães que na quinta-feira retrasada ocupou a coluna “Pedagogia Equivocada” fez uma referência ao seu tempo de estudante no Colégio Farroupilha quando foi vítima de bullying por parte de uma professora. Ele enviou uma mensagem pedindo que fosse publicada uma correção. Diz o leitor: “Nunca foi minha intenção responsabilizar a instituição pelo acontecido 20 anos atrás. O fenômeno do bullying é universal, poderia ter acontecido em qualquer escola, aconteceu naquela como em tantas outras, muito mais naquela época em que esta pauta nem era discutida por ninguém. Eram outros tempos e a instituição não poderia ter um controle sobre o que acontecia em cada momento nas salas de aula e em hipótese alguma pode ser responsabilizada”.

Correio do Povo 25-09-14




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